segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Conhecendo-nos

Olá, V.ocê, me conhece sou só um rapaz
Dessa vez se encantou demais
Por isso eu verso
Pelo meu excesso
Da crença de rir

Ouço V.ocê, muito obrigado, sou homem formado cansado de ouvir

Tive memórias
De um futuro que não vai existir
Por isso estou aqui
Pensando sem graça em que vou fazer quando não mais cair.

João Pedro M. S.
21/12/2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

Graduação 2012

Esse foi um ano muito importante. Pode até não ser o ano do fim do mundo, mas é o ano do fim da escola. 

Que ideia estranha, difícil até de imaginar, sem uniforme, sem inspetor, se tudo der certo, sem mensalidade. 

Admito que não foi o ideal, mas de que posso reclamar? Capoeira, escola, só falta uma coisinha... 

Não consegui ser orador, que pena; mas... acho que valeu a pena poder ouvir aquilo que meu amigo tinha a dizer. 

Foi só um ano, mas foi um ano completo, de A a Z. Um ano que dá um salto imenso ao Futuro, à vida adulta – teoricamente –; ainda assim é bizarro: uma folha com as notas diz se os doze anos de colégio foram suficientes? 

Tivemos matemática, física, geografia, ..., ainda não tem aula de vida. Ainda bem, nada como descobrir empiricamente, nada como poder errar por desconhecer. 

Um longo ano, uma turma de umas 45 pessoas em que laços foram construídos, outros interrompidos por isso... Tomara que dos quarenta e pouco uns três eu possa levar e chamar de amigo, posso, Pedro, Luis e Thais? 

Outros laços menos óbvios... professor passando a ser chefe, será que dá certo? 

Obviamente alguns já nem se lembram mais de meu nome, porém digo com segurança: fiz amigos do outro lado da sala. Além deles – os amigo-professores, ex-professores agora – tivemos (e temos) os amigos mais próximos, tivemos aquele colega de turma que nem conversamos muito, o amigo do curso, aquele amigo de corredor que se deixar passa horas conversando com a gente e às vezes não sabemos nem o nome dele. 

Espero que eu reveja algumas pessoas desse ano, agora sem vestir uniforme. 

Consegui tornar-me orador de minha própria vida. 

João Pedro M. S. 

16/12/2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sábado de Sol



Era um lindo sábado de sol. 

Estava lindo o sol de sábado; o telefone tocou. 

Atendi. Ouvi tudo o que disseram. As ondas não quebravam mais como antes, todos em câmera lenta. Ninguém à minha volta. 

Triste(,) era o fim da chamada. 

Levantei-me. 

Sentei-me. 

Areia companheira, ela não vem mais. 

O lindo sol de sábado parou no fundo do copo luminoso do céu de sexta. 

Era só uma sexta-feira; uma como outras tantas. Ela foi, por que não iria? 

Fim de ano, terceiro ano; fim da era de vestibulanda. 

Curta foi sua comemoração. Interrompida por causa de um canudo. O carro não esperou. 

Ela não vem. 

Querida sexta-feira, era um lindo sábado de sol. 



João Pedro M. S. 

17/11/2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Teoria do Estado

O problema não é ser contra algum modelo atual. O problema é que somos tão condicionados a pensar de uma maneira que até na hora de fugir desse modelo, temos que fugir por meio de outro modelo. 

Não o abandonamos, o substituímos. 

A capacidade da imaginação e da liberdade foi tão atrofiada que apenas pensar que não precisamos seguir uma linha pré-determinada é estranho, o normal é nos "encaixarmos", esquerda ou direita, por exemplo. Vivemos em um mundo tridimensional, tem muito lado que ainda não foi descoberto (ou inventado). 

Temos a liberdade de optar, mas a liberdade tem sido confundida com obrigação. A liberdade da escolha, por exemplo. 

O que é liberdade? Se fossemos mesmo livres não precisaríamos de regras dizendo que não há regras para algumas coisas.

Não é tão difícil de compreender quando se teve uma educação básica. No entanto, não temos autorização para ensinar a verdade. Vamos estudar então superficialmente as fazendas:

Por ganância de alguns grupos iniciaram-se os cercamentos. Depois, tentaram expandir esses cercamentos. Esses novos espaços cercados diziam que eram um cercamento a parte, portanto não deveriam ser fagocitados por um outro cercamento, por isso agora se afirmavam um cercamento independente. Esses cercamentos agora têm a liberdade e obrigação de optar por um dos dois modelos oferecidos pelos outros cercamentos e então algumas portas e janelas se abririam de um cercamento a outro, variando de acordo com interesses e com o modelo escolhido.

Aqueles que "tomam conta" dessas áreas cercadas se esqueceram que nessas zonas há animais. Esses animais tiveram a sorte ou o azar - na realidade, a simples coincidência - de nascer dentro de um desses cercamentos. Por isso, agora, esse animal deve defender até sua morte a liberdade que tem de viver dentro desse cercamento e, caso se mostre um animal comportado e produtivo, quiçá possa transitar entre os cercamentos, desde que traga ao seu de nascença algo novo.

Depois de um tempo, o gado percebeu que não era de fato livre. Para solucionar esse problema, os "pastores" decretaram que agora o gado escolhe quem será seu pastor, porém não pode optar pelo modelo, criar um novo então está fora de cogitação. O gado é ensinado a não pensar.

O gado dificilmente percebe que não é livre, que não decide nada. O gado escolhe apenas quem o leva ao abatedouro, o final é sempre o mesmo: o gado é morto; parte é para corte, parte foi para leite, outra parte apenas para reproduzir, fato é que todos foram usados e todos têm o mesmo fim.

Eu sou o gado.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Professor


Professor: s.m. aquele que ensina.

Professor, costumam dizer que é importante. Será mesmo?

O que seria de uma nação sem os médicos? Risco perene. O que seria de uma nação sem os policiais? Risco perene. O que seria de uma nação sem bombeiros? Risco perene. O que seria de uma nação sem o gari? Risco perene. O que seria de uma nação sem juízes? Risco perene. O que seria de uma nação sem engenheiros? Risco perene. O que seria de uma nação sem jornalista? Risco perene. O que seria de uma nação sem o oficial das forças armadas? Risco perene.

Seria risco de vida a cada corte profundo. Seria risco de violação da segurança ainda maior. Seria risco de não haver segunda chance para qualquer acidente. Seria risco de nem sequer locomover-se em meio ao lixo. Seria risco de não haver justiça. Seria risco de instabilidade. Seria risco da alienação. Seria risco nacional. Seria isso e muito mais.

Agora digam, quem é o professor?

Não cura ninguém, não protege ninguém, não salva ninguém, não asseia ninguém, não julga ninguém, não constrói para ninguém, não engaja ninguém, não defende ninguém; não constrói ninguém.

Será?

Quem seria o médico se ninguém lhe ensinasse tudo aquilo que ele sabe durante os longos anos de faculdade? Quem seriam os policiais se não tivessem a capacidade de redigir os boletins de ocorrência ou a mentalidade para portar uma arma? Quem seriam os garis sem alto conhecimento urbano local? Quem seriam os juízes que não poderiam ler a constituição? Quem seriam os engenheiros que não saberiam fazer cálculos? Quem seria o jornalista sem a capacidade de relatar? Quem seria o oficial das forças armadas que não poderia julgar e conhecer seus atos e responsabilidades?

Não importa qual sua profissão, provavelmente você precisou de um instrutor.

O professor cura carências das jovens crianças ansiando por mostrar aquilo que descobriram. O professor protege seus alunos da alienação, salvando-os do desconhecimento. O professor asseia o julgamento possibilitando uma autodefesa e, futuramente, a construção de um cidadão capacitado.

Tem fama de ganhar mal e não ter muita coisa para fazer, apenas repetir em cada turma as mesmas aulas, tratar dos mesmos comportamentos, corrigir as mesmas provas, consertar os mesmos erros, redizer os mesmos sermões e repetir tudo ano que vem.

É só a profissão mais importante que existe. Talvez não seja coincidência professor e profissão terem sons tão semelhantes, não sei. Forma uma pessoa, há coisa mais importante que isso? Basta pensar: prédios de mais de 30 anos, alguns edifícios com algo em torno de 150 anos, outros construídos há mais 3.000 anos, como se mantêm em pé? Simples: base sólida, estrutura sólida. Como então um ser pensante pode durar um bom tempo lúcido, não alienado, questionador? Simples: base sólida. O construtor dessa base quem mais poderia ser? O professor.

Ele é como o leão. Uma das exemplificações da vida dividida em funções: a fêmea na caça e o macho na vigília. O professor é a fêmea e o macho ao mesmo tempo, a caça antes de ser feita pelas leoas mais novas é ensinada pelas que têm mais prática, assim as calouras aprendem técnicas de cerceamento e de corrida para perseguir a presa, por exemplo. O professor ensina tudo aquilo que sabe na esperança de que seu aluno desenvolva a técnica do raciocínio e um dia não precise mais dele. Além disso, ele observa, acompanha e organiza o desenvolvimento de sua turma. O professor é a mãe especializada. Se não fosse pela alta absorção de práticas e por conseguinte conhecimento por parte dos homo sapiens sapiens o professor não existiria, seria apenas mais um indivíduo repassando suas experiências ao mais novo. No entanto, a “evolução” humana não ocorreu desta maneira, ela não só se deu por base empírica, se deu também por bases cumulativas de inteligência de tal forma que as descobertas humanas passaram a somar tamanho nível de conhecimento que um único indivíduo não seria mais capaz de repassar tudo ao próximo; assim começou a mudança da função materna na sociedade humana. A mãe e o pai, que antes ensinavam tudo à cria, não possuem mais tal capacidade, os conhecimentos tiveram de ser fracionados em vários especialistas pontuais. Parte desses especialistas, além de especialistas em determinada área de conhecimento, é responsável também por ensinar à próxima ninhada aquilo que sabem, estes são os professores.

Trabalham exaustivas horas por dia, às vezes ultrapassando 12 horas de trabalho diário. Uma total entrega e abnegação. Reconhecimento quase nulo tanto daqueles que aprendem quanto do empregador.
Ao mesmo tempo sabido que tal profissão de paixão pelo ofício que resulta em uma média de expectativa de vida inferior à de outras profissões - no mesmo grupo dos médicos, psicólogos e afins - é uma das mais gratificantes que ele poderia ter, não por ser uma entra as mais fundamentais para a existência da civilização como se vê atualmente, mas por ser a que lhe dá mais retorno, não monetário, mas passional.

O professor acompanha o aprendizado, a capacidade da superação, a ultrapassagem de barreiras de dificuldade e retirada de dúvidas, principalmente aquelas em que o aluno – sem luz ­– não pergunta, mas nota por outros casos o comum e acaba por induzir o raciocínio e então esboça o sorriso de contentamento ao saber que ele é capaz de pensar.

Atos simples – uma criança ajudando outra, um colega explicando de uma outra forma, um aluno errando e querendo saber o motivo – que lembram ao professor o motivo de ele estar ali e voltar, todo dia, todo ano, para dar, a mesma, aula.
Coitado, ele é só um professor.
João Pedro M. S.
28 de outubro de 2012

domingo, 4 de novembro de 2012

ENEM

Bom dia,
Pois hoje é magia
De nossa feitoria
Que examinaria
E o ensino refaria.
Não adianta poesia,
Não adianta fazer cria,
Passou a melancolia
É hora de dizer bom dia.



Good day,
Chega de Faraday.

João Pedro M. S.
03 e 04 de Novembro de 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Fado


Mundo apressado
Mundo mecanizado
Mundo desregulado
Mundo irritado
Mundo desorganizado
Mundo perturbado

Mundo dinâmico,
Mundo impaciente.
Mundo de pânico
E de gente ausente.

Mundo inorgânico
E de gente doente.

Mundo perverso,
Mundo alienado.
Mundo ao inverso
E desantenado.

Mundo de muito raso,
Mundo de superfície.
Mundo sem dar um passo
Nessa grande planície.

Mundo pouco pensado,
Mundo uniformizado.
Mundo bobo e invariado,
No máximo está molhado.

Mundo fraco.
Mundo parado no tempo
E no raciocínio.
Quase desinovado,
Mas muito desmotivado.

Mundo grande, mas sem espaço
Aos longos, que descompasso.
Mundo cheio de preguiça,
Mundo sem objetivo
Que não aguenta subjetivo
Não lê e enguiça.

Mundo, máquina não interpreta.
Mundo máquina do alfa e beta.
Mundo limpo sem entrelinha,
Mundo sujo sem estrelinha.

Mundo à mostra
E posto à prova.
Foi-se a trova,
É terra nostra.
Mundo varrido,
Mas empoeirado.
Mundo rompido,
Pois escavado.

Mundo poeiril,
Mundo também vil.
Mundo nada sutil.
Mundo que tem Brasil.

Mundo todo recortado,
Mundo todo colado,
Mundo todo desperdiçado.
Mundo em demasiado.

João Pedro M. S.
31/10/2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Nem Todos



Nem todos leem um texto e se emocionam. Nem todos ouvem uma música e se identificam.

Ainda bem. Qual seria a graça se a mesma música ou o mesmo texto significasse a mesma coisa para todos? Não haveria individualidade, não haveria singularidade de emoções. Não haveria personalidade.

Nem todos veem os esboços de gestos que são contidos apenas o suficiente para que o outro perceba e ao mesmo tempo tenha uma dúvida. Nem todos amam.

Nesse caso já não tem como saber. Será que a cegueira e a frieza são boas coisas? Deixaríamos de sofrer, mas também deixaríamos de ter aquela respiração ofegante ou de ficar vermelho só por falar com alguma pessoa em especial.

Nem todos têm braço. Nem todos têm perna. Nem toda diferença é boa, mas como posso julgar tendo eu todos os membros?

Nem todos sabem ler. Nem todos sabem amar. Nem todos sabem ser. Nem todos sabem o que vão fazer amanhã. A única coisa que todos sabem é que nem todos sabem fazer tudo.

João Pedro M. S.
30/10/2012

sábado, 20 de outubro de 2012

I'm running from the wave,
How should I behave?
What about if I was running against the sea,
What would I see?
What about if I jump into the sky?
Would I learn how to fly?

João Pedro M. S.
20/Outubro/2012 - 13:59

Verdade


A Verdade dá poesia
Ou a Verdade da poesia
Não é a mesma do dia-a-dia
E não deve ser a única via

A Verdade do positivo
Não se mede pelo contraste
Não se faz pelo negativo
Não tem sequer uma haste

A Verdade do Empirista
Não é só mais uma na pista
Talvez seja uma na vista
Tato, olfato; característica

A sua verdade é desigualdade
Minha verdade é ver a idade
A nossa verdade é viver em cidade
Dizer que há verdade é uma maldade.

João Pedro M. S.
20/Outubro/2012 - 01:53

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Lista


Pão
Carne
Queijo
Ovo
Farinha
Feijão
Arroz
Batata
Tomate
Presunto

João Pedro M. S.
21/09/12 10:29

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Calendário Viciado



Tempo, ano, data, idade
Marca hora
Tempo inútil,
Número abstrato

Ciência sem razão
Ciência sem função
Só serve de separação,
No máximo de taxação

Ciência da maldade
Dura como uma tora
Deixa tudo fútil
Sem graça como sola de sapato

Bloqueia apresentação
Trava qualquer junção

João Pedro M. S.
20/08/2012

domingo, 19 de agosto de 2012

Árvore da Vida



Sustentada pelas raízes da família, encorpada pelo próprio corpo, o tronco, aflorada pela "cor" dos pais. Divida em inúmeros ensinamentos, cobranças e doações.

Árvore da vida, vida que sem paz não se ergue, além de sua raízes depende da calmaria, ou da simples ajuda. Tronco que sem paz cresce torto, e dificilmente aflora.

Árvore que representa a unidade de vida, raízes que sem tronco nada sustentam; tronco que sem raiz não se ergue, flores e galhos que se desconectariam, não fossem os nós.

Árvore, um simples emaranhado de paz e família.

- João Pedro Maciel Schlaepfer

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Será que felicidade ou sentimentos bons em geral são como matemática simples? Mais com mais é mais, mais com menos é menos, menos com menos é mais. Quando seu coração - o órgão mesmo - está de acordo com seu pensamento - cérebro - você fica com sensações positivas, quando está em desacordo prevalece o negativo.

Estranho esse negócio de aura e campo magnético de cada indivíduo... mas o magnetismo funciona atraindo ou repelindo e a aura iluminando. Seja absorvendo luz ou enviando luz, atraindo ou repelindo, o importante é o acordo consigo mesmo para então o acordo geral (a grosso modo, só no ponto de vista espiritual). É sempre bom absorver o positivo, enviar o positivo, atrair o positivo e repelir o negativo. 

A luz que não ilumina deve ser a primeira a se queimar para que as boas iluminem o espaço que aquela não deixava a mostra.


João Pedro M. S.

domingo, 15 de julho de 2012

Pico


Não vês que ao Sul limpo,
A caminho dos céus do Olimpo,
Os deuses te buscam em vão
Antes de se atirarem ao perdão?

Este, ou aquele seu
Que em um futuro
Há também de ser meu
Não mais um simples muro
Bloqueando todo seu eu

Outrora a vida
Mal agradecida
Zombou de ti, perdendo-te ao nada
E agora buscando-te, vendo-te como uma fada

A vida é um ciclo
Passaste por baixo
E agora sobes ao pico



João Pedro M. S.

(Maio de 2012)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Descendo do meu Cavalo Branco


    Já não me lembro mais da data, nem da hora. Chuto algo em torno de dez da noite. Rumávamos nossas respectivas casas, na interseção dos caminhos conversávamos.
    Era sabido por você e por todos meu interesse extra-amigal, nunca foi segredo. Começado em Fevereiro e terminado em... bem, não sei quando. “Tudo” começou no churrasco, em que, de fato, perceberam esse algo a mais.
    Meses passaram, suas amigas me diziam: “ela quer, só tenha calma”, outra: “ela quer, mas precisa de clima”, e calmo eu segui. Por mais que tenha sido avisado continuei tendo dúvida, nunca soube de verdade se era possível, uma incerteza, um frio na barriga.
    Certo dia, voltando àquela noite, saíamos de bicicleta, juntos e sozinhos, até então era comum. Falamos de muitas coisas, mas para nós dois, o principal era aquele assunto. Estudávamo-nos, aliás, eu a estudava.
    Já na conversa, surge:
    − Tá ficando com alguém? – pergunto.
    − Não, − pausa – e você? Tá pensando em alguém?
    Nisso, gelo. Não sabia o que dizer, disse a verdade então – não precisava dizer quem... Jogávamos conversa fora e voltávamos ao ponto principal após cada momento de descontração. Falamos de namoro, passado, presente e “futuro”; de expectativas, decepções, desejos e pouco mais.
    Eu já transtornado no desejo de tê-la resolvi então descer de minha bicicleta, pará-la e dizer-lhe tudo que sentia, com leve intuito da reciprocidade. Comecei a pensar: “quando ela parar de falar eu faço. Não! Quando ela perguntar eu respondo com um beijo! Burro, desce na frente dela, segura sua mão, ou não, e diz logo!”.
    Após longo período de reflexão, disse já parando meu cavalo branco elegante à sua frente: “Você sabe. Eu to a fim de você há um tempo, não sabia como te dizer, quero que você deixe de ser assunto de meus textos para fazer parte de mim. Não quero nada necessariamente sério, vamos deixar rolar...”. Ela sorriu, ainda de cabeça baixa, me aproximei, nos olhamos lentamente e então eu a beijei, de pronto ela respondeu. Paramos por um instante, sorrimos sem descolarmos um do outro, de mãos dadas ficamos e recomeçamos. Tínhamos que voltar para casa, infelizmente. Pegamos nossas bicicletas e voltamos ao nosso caminho. Na porta de sua casa mais um beijo, dessa vez rápido, curto, e eu a via descendo a ladeira.  ― Isso tudo sonhei.
    Nada aconteceu.
    Mais um longo tempo se passou, cada vez mais próximos um do outro. Isso me confortava.
   Até que chegou a hora, mas fui arrastado pela onda de um surfista e o grito da oca fez sinhá me chamar. Logo em meu aniversário ― tragédia.
    Desde então vejo que me evita, me olha ainda, mas não fala. Triste, não? Às vezes acho até que percebo alguns ciúmes; calma, ela é somente uma amiga.
    Sabe, tento me chegar a você. Creio que abrir o jogo é sempre o melhor, pena que não me permite. Cansei, triste isso... hoje estou aqui, sentado, escrevendo, me lembrando do que pensava e queria, ou quero (só por raiva ou por orgulho), nem eu mais sei.

João Pedro M. S.
7 de Junho de 2012
                

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados


Você está "comemorando" esse dia com o cara errado. Já faz dois anos e vinte e dois dias... preciso dizer mais alguma coisa?

Você tinha razão, a mulher só dá valor ao homem quando o perde. Por isso até hoje não fui valorizado por você.



Agora isso muda...



Aos realmente enamorados, meus parabéns. Por mais que eu não creia em dia dos namorados, das mães ou dos pais, das crianças, natal e ano novo, algumas relações merecem uma marcação mais veemente. Minha mãe e meu pai por exemplo, nunca deixaram de receber felicitações de mim, embora não compactue com interesses encobertos pelos desejos trazidos em tais comemorações.
João Pedro M. S.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Panela de pressão pequena é a que explode mais rápido.

(João Pedro M. S.)     - 25/Maio/2012

Homenagem a Gabrielle Dobbin.

terça-feira, 22 de maio de 2012

"Down"

Ficar pra baixo é fácil, a gravidade ajuda.

Quero ver se manter pra cima, sempre. Sempre alegre, não com sorriso falso na cara, sim poder passar pelas dificuldades, dividi-las com seus amigos e prontamente superar(-las/-se).

Questão de cinética: como usar a força que te puxa para baixo levando-a a impulsionar-te para cima?

Não sei responder, acho que precisa de muita prática, mas vejo que está dando certo. Nada externo e "supérfluo" pode afetar tua parte mais íntima, no máximo dar uma sacudida, mas nunca vai chegar ao miolo. Não deve ser a toa que um dos 32.428 apelidos de Capoeira que tenho seja João Sorrisão...

(João Pedro M. S.  -  22 de Maio de 2012)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Aquilo que não se encaixa ou não combina se completa.

(João Pedro M. S. 18/05/2012)
Ficar forçando duas peças a se encaixarem, além de não dar certo, corre o risco de quebrá-las.

(João Pedro M. S.    18/05/2012)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Normalmente os piores garranchos ocultam os mais belos dizeres.

(João Pedro M. S. - 16/05/2012 19:03)

domingo, 13 de maio de 2012

E fez-se o fim

Assinou-se hoje a certidão de óbito, o fim.
Talvez por presente de aniversário.
Finito.

(João Pedro M. S.   12/05/2012)

domingo, 6 de maio de 2012

Você me diz que quer um amor.
Também quero.

Para ti é fácil, mulher.
Usa de teu feitiço,
Para mim, difícil:
Tento criar meu encanto.

Não sei se tem o que dizer.

Arranca de mim as palavras,
Teste o Braille - labial.

(JPMACIELS - 13/Fevereiro/2012  17:12)
O futuro não existe. O presente é o instante. E o passado foi o agora.

(31/01/12 - JPMACIELS)

*Com a presença do Vitão
De que serve saber martelar se seu martelo está quebrado?

(Abril/2012)
A dúvida e a curiosidade são inatas ao homem. Por isso, não tenha vergonha de perguntar, orgulhe-se por poder questionar. São elas, as dúvidas, que fazem as coisas correrem; se a certeza já fosse certa não haveria busca da conquista.

(Abril/2012)
Não é meu amor que tende ao infinito. É o infinito que tende ao meu amor.

(Abril/2012)

---Nasceu como memória, mas dá assim também...
Religião é como chocolate. Uns gostam de preto, outros, branco. Alguns misturam ou botam recheio. Alguns simplesmente desgostam. Já outros são os de fim de semana...
Acontece que nenhuma das opiniões é certa.

(Abril/2012)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Fecho os olhos
Um mundo salpicado de entrelinhas
Que se esgueiram no vazio do
Universo da cabeça minha

Abro os olhos
Uma fala do tom de areia rasga o vão
Suave como o vento?
Não, feroz como um tufão.

Fecho os olhos
A voz cai no fundo de um pio
Fino fio dentro do grito
Grito dentro do fino fio

Abro os olhos
A voz calma me remete ao isolado
Aquela noite de universo por
Demais entusiasmado


- João Pedro M. S. (29/Abril 23:42)


Após ler "Contrários por Natureza" de Renata Boury:


domingo, 31 de outubro de 2010


Contrários por Natureza


Fecho os olhos
Um mundo salpicado de estrelinhas
Que se esgueiram nas frestas do universo das mãos minhas

Abro os olhos
Uma folha da cor da areia toca o chão
Suave como o vento
Barulhenta como o vulcão

Fecho os olhos
Uma pedra cai no fundo do rio
Frio dentro do morno
Morno dentro do frio

Abro os olhos
O deserto claro reflete perolado
Aquela noite de universo por demais estrelado
Ela é a dança e eu a coreografia.
Alguém já parou para refletir na razão dos homossexuais, sobretudo masculinos, terem uma nomenclatura própria? Não fancha, falo de gays.

De acordo com meu raso conhecimento na língua inglesa, gay significa feliz. Tipo: "I'm feeling gay today!", sinto-me feliz hoje.

E se isso representar que os dotes de alegria não estão na sexualidade, tampouco na união estável; alguns, como eu, preferem ter um(a) parceiro(a) - que romântico -; já outros seguem a promiscuidade, e igualmente alegres estão - as vezes acho que até mais...

 Por isso, concluí que ser feliz - no ponto de vista amoroso - não é ter alguém, comer alguém, pegar alguém; é, quiçá, abrir-se a si mesmo(a) e ser feliz com sua condição sexual.

Essa condição, na sociedade, está se tornando mais maleável, porém ainda há a premissa do heterossexualismo - entendível graças à reprodução, mas não justificável - que muitas vezes denigre a imagem do homossexual. Creio eu que os gays, lésbicas, viados, boiolas, ou qualquer outra forma de chamar - pejorativa, ou não - se mostram mais bem resolvidos, e alegres, por estarem bem consigo mesmo. Ainda que eu igualmente esteja bem resolvido, não passo pela mesma alegria dado meu estado civil, não de "solteiro", mas de "na merda".

Penso, também, que o gay em crise passa pela mesma complicação, aliás, tenho certeza, pois tenho vários amigos fanchas.

Hoje a realidade é outra: você é absolutamente ninguém. Tenha a sorte de amar a quem te ama, ou viva a vida procurando (o que pode ser, de veras, bem divertido).

No fim das contas, todos são bi's; uns praticam mais, outros menos. Uns atrofiaram um dos lados; outros estão bem no meio e outros mais tendenciosos.

Quer saber... eu tentando, e foda viu?

       (16/Abril 18:46)
E se acaso a arte já existe e o artista só a traduz?

A escultura já está lá, o artista só retira o excesso. O escritor já vê escrito, só traduz através da tinta; tal como o pintor. E assim se segue.

Até a luta: arte marcial, já está pronta, todos sabem os golpes e/ou movimentos, a sequência deles traduz a luta em si.

O escritor possui 26 letras, com elas, palavras, quase infinitas. Como usá-las ou selecioná-las? Sequenciá-las?

O pintor possui as cores. Faz suas misturas, e cria - ou traduz - aquilo que sente, vê ou está pronto.

Talvez, a arte, ela não exista.

(14/Abril  12:22 -  _A_Z)
Estranho quando uma pessoa é a causa e a consequência. O "problema" e a resolução.
Sinto que estou cada vez mais louco (por dentro ou por ela?)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Resolvi pegar um papel e escrever nele aquilo que viesse à minha cabeça. Eis que:
























    - João Pedro M. S. (13/Abril  16:21)
Eu fitava os olhos em seu avatar.
Pensava: o que falar? devo falar? o que ela vai pensar? como abordá-la?
E mais uma vez, pensando e de novo pensando, e sobre o pensamento pensando, olhando para a foto e o status online eu nada fiz.
Até que ela saiu, e não descobri se foi uma angústia maior, de minha incapacidade, ou um alívio, simples e relaxado.

E ele, que ao mesmo tempo se aproxima, se afasta. Volta, e sempre se mantém por perto. Vai e volta, num ciclo, numa necessidade de se apresentar, estar lá, com ela, para ela, mesmo que ela não saiba, ou perceba.

Ele, que tem a necessidade de vê-la, de tê-la, mas não pode. Não se permitem. A vida já não deixa mais... mas que querem...

Ele, que apesar disso tudo, assim como ela, quer, e precisa, se manter conectado, atualizado. Gosta de saber que o "rolinho" se desenrola, que ficam nervosos... e, que ao contar levanta a cabeça, com um esboço de lágrima e uma tentativa de sorriso. Ambos param, e se olham. Ambos sabem, e se querem. Só se olham, se pensam, talvez até se amem - e o sabem.

Segue, nada fazem. "Como foi depois?" pergunta um desviando o assunto. E novamente se olham, querendo se realizar, e se impedem. E travam, e se ajudam, pois apesar do amor bloqueado querem a mútua felicidade - independente do companheiro(a).

E amigos seguem, trocando dicas, conselhos, e o mais importante: os olhares, a malícia das entrelinhas. E apenas pensam no passado, outrora juntos.


(NL)

Migração

Inauguro hoje minha oficial migração: antes Tumblr, hoje Blog.
Àqueles que me leem, tem paciência até que me acostume.