segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Teoria do Estado

O problema não é ser contra algum modelo atual. O problema é que somos tão condicionados a pensar de uma maneira que até na hora de fugir desse modelo, temos que fugir por meio de outro modelo. 

Não o abandonamos, o substituímos. 

A capacidade da imaginação e da liberdade foi tão atrofiada que apenas pensar que não precisamos seguir uma linha pré-determinada é estranho, o normal é nos "encaixarmos", esquerda ou direita, por exemplo. Vivemos em um mundo tridimensional, tem muito lado que ainda não foi descoberto (ou inventado). 

Temos a liberdade de optar, mas a liberdade tem sido confundida com obrigação. A liberdade da escolha, por exemplo. 

O que é liberdade? Se fossemos mesmo livres não precisaríamos de regras dizendo que não há regras para algumas coisas.

Não é tão difícil de compreender quando se teve uma educação básica. No entanto, não temos autorização para ensinar a verdade. Vamos estudar então superficialmente as fazendas:

Por ganância de alguns grupos iniciaram-se os cercamentos. Depois, tentaram expandir esses cercamentos. Esses novos espaços cercados diziam que eram um cercamento a parte, portanto não deveriam ser fagocitados por um outro cercamento, por isso agora se afirmavam um cercamento independente. Esses cercamentos agora têm a liberdade e obrigação de optar por um dos dois modelos oferecidos pelos outros cercamentos e então algumas portas e janelas se abririam de um cercamento a outro, variando de acordo com interesses e com o modelo escolhido.

Aqueles que "tomam conta" dessas áreas cercadas se esqueceram que nessas zonas há animais. Esses animais tiveram a sorte ou o azar - na realidade, a simples coincidência - de nascer dentro de um desses cercamentos. Por isso, agora, esse animal deve defender até sua morte a liberdade que tem de viver dentro desse cercamento e, caso se mostre um animal comportado e produtivo, quiçá possa transitar entre os cercamentos, desde que traga ao seu de nascença algo novo.

Depois de um tempo, o gado percebeu que não era de fato livre. Para solucionar esse problema, os "pastores" decretaram que agora o gado escolhe quem será seu pastor, porém não pode optar pelo modelo, criar um novo então está fora de cogitação. O gado é ensinado a não pensar.

O gado dificilmente percebe que não é livre, que não decide nada. O gado escolhe apenas quem o leva ao abatedouro, o final é sempre o mesmo: o gado é morto; parte é para corte, parte foi para leite, outra parte apenas para reproduzir, fato é que todos foram usados e todos têm o mesmo fim.

Eu sou o gado.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Professor


Professor: s.m. aquele que ensina.

Professor, costumam dizer que é importante. Será mesmo?

O que seria de uma nação sem os médicos? Risco perene. O que seria de uma nação sem os policiais? Risco perene. O que seria de uma nação sem bombeiros? Risco perene. O que seria de uma nação sem o gari? Risco perene. O que seria de uma nação sem juízes? Risco perene. O que seria de uma nação sem engenheiros? Risco perene. O que seria de uma nação sem jornalista? Risco perene. O que seria de uma nação sem o oficial das forças armadas? Risco perene.

Seria risco de vida a cada corte profundo. Seria risco de violação da segurança ainda maior. Seria risco de não haver segunda chance para qualquer acidente. Seria risco de nem sequer locomover-se em meio ao lixo. Seria risco de não haver justiça. Seria risco de instabilidade. Seria risco da alienação. Seria risco nacional. Seria isso e muito mais.

Agora digam, quem é o professor?

Não cura ninguém, não protege ninguém, não salva ninguém, não asseia ninguém, não julga ninguém, não constrói para ninguém, não engaja ninguém, não defende ninguém; não constrói ninguém.

Será?

Quem seria o médico se ninguém lhe ensinasse tudo aquilo que ele sabe durante os longos anos de faculdade? Quem seriam os policiais se não tivessem a capacidade de redigir os boletins de ocorrência ou a mentalidade para portar uma arma? Quem seriam os garis sem alto conhecimento urbano local? Quem seriam os juízes que não poderiam ler a constituição? Quem seriam os engenheiros que não saberiam fazer cálculos? Quem seria o jornalista sem a capacidade de relatar? Quem seria o oficial das forças armadas que não poderia julgar e conhecer seus atos e responsabilidades?

Não importa qual sua profissão, provavelmente você precisou de um instrutor.

O professor cura carências das jovens crianças ansiando por mostrar aquilo que descobriram. O professor protege seus alunos da alienação, salvando-os do desconhecimento. O professor asseia o julgamento possibilitando uma autodefesa e, futuramente, a construção de um cidadão capacitado.

Tem fama de ganhar mal e não ter muita coisa para fazer, apenas repetir em cada turma as mesmas aulas, tratar dos mesmos comportamentos, corrigir as mesmas provas, consertar os mesmos erros, redizer os mesmos sermões e repetir tudo ano que vem.

É só a profissão mais importante que existe. Talvez não seja coincidência professor e profissão terem sons tão semelhantes, não sei. Forma uma pessoa, há coisa mais importante que isso? Basta pensar: prédios de mais de 30 anos, alguns edifícios com algo em torno de 150 anos, outros construídos há mais 3.000 anos, como se mantêm em pé? Simples: base sólida, estrutura sólida. Como então um ser pensante pode durar um bom tempo lúcido, não alienado, questionador? Simples: base sólida. O construtor dessa base quem mais poderia ser? O professor.

Ele é como o leão. Uma das exemplificações da vida dividida em funções: a fêmea na caça e o macho na vigília. O professor é a fêmea e o macho ao mesmo tempo, a caça antes de ser feita pelas leoas mais novas é ensinada pelas que têm mais prática, assim as calouras aprendem técnicas de cerceamento e de corrida para perseguir a presa, por exemplo. O professor ensina tudo aquilo que sabe na esperança de que seu aluno desenvolva a técnica do raciocínio e um dia não precise mais dele. Além disso, ele observa, acompanha e organiza o desenvolvimento de sua turma. O professor é a mãe especializada. Se não fosse pela alta absorção de práticas e por conseguinte conhecimento por parte dos homo sapiens sapiens o professor não existiria, seria apenas mais um indivíduo repassando suas experiências ao mais novo. No entanto, a “evolução” humana não ocorreu desta maneira, ela não só se deu por base empírica, se deu também por bases cumulativas de inteligência de tal forma que as descobertas humanas passaram a somar tamanho nível de conhecimento que um único indivíduo não seria mais capaz de repassar tudo ao próximo; assim começou a mudança da função materna na sociedade humana. A mãe e o pai, que antes ensinavam tudo à cria, não possuem mais tal capacidade, os conhecimentos tiveram de ser fracionados em vários especialistas pontuais. Parte desses especialistas, além de especialistas em determinada área de conhecimento, é responsável também por ensinar à próxima ninhada aquilo que sabem, estes são os professores.

Trabalham exaustivas horas por dia, às vezes ultrapassando 12 horas de trabalho diário. Uma total entrega e abnegação. Reconhecimento quase nulo tanto daqueles que aprendem quanto do empregador.
Ao mesmo tempo sabido que tal profissão de paixão pelo ofício que resulta em uma média de expectativa de vida inferior à de outras profissões - no mesmo grupo dos médicos, psicólogos e afins - é uma das mais gratificantes que ele poderia ter, não por ser uma entra as mais fundamentais para a existência da civilização como se vê atualmente, mas por ser a que lhe dá mais retorno, não monetário, mas passional.

O professor acompanha o aprendizado, a capacidade da superação, a ultrapassagem de barreiras de dificuldade e retirada de dúvidas, principalmente aquelas em que o aluno – sem luz ­– não pergunta, mas nota por outros casos o comum e acaba por induzir o raciocínio e então esboça o sorriso de contentamento ao saber que ele é capaz de pensar.

Atos simples – uma criança ajudando outra, um colega explicando de uma outra forma, um aluno errando e querendo saber o motivo – que lembram ao professor o motivo de ele estar ali e voltar, todo dia, todo ano, para dar, a mesma, aula.
Coitado, ele é só um professor.
João Pedro M. S.
28 de outubro de 2012

domingo, 4 de novembro de 2012

ENEM

Bom dia,
Pois hoje é magia
De nossa feitoria
Que examinaria
E o ensino refaria.
Não adianta poesia,
Não adianta fazer cria,
Passou a melancolia
É hora de dizer bom dia.



Good day,
Chega de Faraday.

João Pedro M. S.
03 e 04 de Novembro de 2012