Via-se a marcada Vera Cruz
Impressão forte na aurora
Marca por certa hora
Então chegava meu preto,
O velho, meu ex-guerreiro
Passava por meu terreiro
Dizendo-me sem ser neutro
Salve! a meu povo afro
Ave!, meu antigo sinhô
Traz-me incenso e cravo
Força já me acabou
Venha grande Orixá
Ofereço-lhe o Ijexá
Mostra o Camdomblé
Liberta todo o Axé
Grita meu povo Banto
Chama o grande Nagô
Ouve o forte Jeje
Essa história não terminou
Fuja dessa senzala
Escuta nossos Voduns
Invoca este Nzambi
Deixa de ser só mais um
Bota essa guia e então
Lembra que não tá só
Aprende a fugir de ladrão
Mesmo que se cubra de pó
Chama teu Olorun
Escuta o zum zum zum
Conversa co’a natureza
Acha-me nesta beleza
Às vezes mistura com índio
Forma quilombo
Chega de carregar no lombo
E duvida de todo hominídeo
Mostra essa tua alma
Arruma tua nega
Cuidado, tenha calma
Que já já lhe chega
Reserva nossa cultura
Meu preto trabalha duro
Agora vê teu futuro
Esquece de minha amargura
Chama a nega no samba
Não fica de bobeira
Vá, meu cabra que é bamba
Bate forte o tambor
Porque agora eu já me vou
A luz fecha o véu
E eu subo de novo ao céu.
João Pedro M. S.
00:01 01/11/2012