segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Autobiografia

Eu sou o sonho de toda mãe,
O futuro de toda menina;
O sucesso de muita vida;
E o pesar de uma despedida.

Sou reto e simples, sem ilusão
Sou como um labirinto,
Um sonhador em confusão.
Duro como uma pedra,
Ou como a água que bate nela.

Poeta bem altruísta,
Amante sem grande conquista.

Entusiasta por paixão.
Pensador por emoção.
Apaixonado por razão.

Não sou simples, é verdade
Sei quem sou, facilidade
Conheço as qualidades
De um aficionado em liberdade

15/12/2012
João Pedro M. S.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Estou em busca de alguém
Que o sono me tire
E que possa também
Fazer que eu me revire

Quero alguém 
Que me ponha na cama
Que de noite me chama
Ou apenas que faça bem

Que não seja qualquer
Essa bela mulher
Que eu não precise duvidar
E não me canse de olhar

Ahh... Que grande problema
Nessa caça ao tesouro
Não vivo em matadouro
Essa grande mulher não é um emblema.

(01:25 04/11/2013   ---   Ml.S.)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

De fato, quando acordei, sabia que este não seria um dia "normal".

Acordei de manhã atrasado para a faculdade, costume. Escolhi uma roupa melhor, uma blusa social, mais séria, pois, após o trabalho típico de quarta-feira, em vez de Capoeira, eu ia dar aula particular. Terminei de me arrumar e saí.

No trabalho fui elogiado e não tive um segundo sequer de descanso, monitoria lotada - véspera de PUC-Rio. Saí de carona e no meio do caminho peguei um ônibus cheio. Ao concluir a aula saí da casa do aluno de 11 anos com uma tímida despedida "Tchau, Tio.". Peguei um ônibus dessa vez vazio até a Alvorada e de lá outro para casa, ao cruzar a passarela cruzo com oito jovens, entre 8 e 11 anos de idade, isso por volta das nove e meia da noite. Achei estranho estarem desacompanhados e fazerem tanta arruaça pela rua, segui meu caminho.

Fui direto ao banco, depositar os 120 reais que ganhei na aula. Na porta do banco, deitado no chão dois jovens, aparentemente da minha idade, cobertos com edredons desgastados e sujos. Ambos negros. Entrei no banco e terminei a tarefa que fui realizar. Ao sair, vi um carro de polícia e dois policiais indo em direção ao banco com fuzis na mão, parei. Eles seguiram em direção à entrada, viram os dois homens dormindo, guardaram as armas, deram meia volta e se retiraram. Eu ao mesmo tempo ia embora.

Cheguei a casa há pouco tempo, sentei meio transtornado e absorto pela quantidade de informações absorvidas em um período tão curto. Cheguei, sentei e abri a Stella Artois que comprei no posto de gasolina entre o banco e minha casa.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Fundaço

Estou há tempo sem escrever, sem tempo, paciência, inspiração. Mas, hoje, saindo da faculdade a caminho do trabalho, peguei um ônibus, 425T, que não costumo pegar.

Ao subir no ônibus, perguntei, por segurança, se a linha iria para a Barra. O motorista acenou com a cabeça, o cobrador e um passageiro foram mais corteses e me explicaram o trajeto detalhadamente.

Com a resposta ratificada, passei o Rio Card e sentei-me bem próximo ao cobrador. - Não que eventos desse me mobilizem tanto, mas talvez por influência de minha formação: Ensino Superior Incompleto: cursando Geografia - Bacharelado, por enquanto; eu fique mais receptivo a episódios particulares que muitas vezes traduzem uma realidade nacional. - Sentei, abri a mochila e de dentro de uma pasta transparente retirei um dos múltiplos textos em preto e branco e prossegui com minha leitura. Ainda na primeira página fui interrompido por um mulato careca, com sotaque nordestino - chutaria sergipano -, língua presa, dentes tortos e amarelados, que trajava uma calça simples e uma camisa de botão azul faltando pelo menos um deles, além de ter sua gravata já folgada e de lado. Esse homem era o cobrador.

O simpático homem disse: "Vai pra Barra.". Novamente agradeci e me pus a ler. Ele, então, cutucou-me no ombro, interrompi imediatamente a leitura para ouvi-lo e surpreendentemente ele me pergunta se sou estudante, respondo que sim, com um largo sorriso e um fundo de orgulho. Ele, tímido, prosseguiu:

"E... tem gente de outros países lá?"

Nesse momento passo a conversar mais abertamente com o senhor. Respondi que sim e ele de pronto perguntou a mim como eles eram, se eles conversavam e onde moravam. Expliquei que eram pessoas normais e fui interrompido com algo como:

"Que língua eles falam?"

Disse a ele que, apesar do sotaque, quase todos falam português fluentemente. Ele perguntou do Canadá, não sei o porquê. Perguntou, também, das aulas e pesquisas, se havia prova ou apenas trabalhos.

Um tempinho depois ele quis saber meu curso, disse Geografia e ele ficou alguns segundos estático. Ele mesmo quebrou o silêncio dizendo:

"Me disseram que a Geografia também trabalha com espaço, um amigo me contou isso, achei muito legal, eu não sabia."

Essa conversa resumida não durou mais que quatro minutos. Com certeza ele tinha mais perguntas que teria feito se tivesse um Ensino Superior. Com cota ou sem cota, esse homem deveria se sentar ao meu lado.

João Pedro M. S.
10/06/2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Tudo de Novo

É um transtorno em minha cabeça.
Antítese ou paradoxo?
Tenho raiva, mas eu quase te amo;
Um dia, quem sabe?

É... eu reparo.
Reparo em todas as vezes que dançou comigo
E as que deixou de dançar.
Reparo nos sorrisos, nos olhares disfarçados
E na mexidas de cabelo.

Até queria fazer rima,
Você não deixa:
A rima imprescinde padrão,
Você não tem... você não é.

Queria támbém não ser chato,
Queria que você ouvisse a música,
Até o fim
E lesse os outros.

Quero que me dê uma chance,
Chance de te lembrar porque se apaixonou por mim.
Quero que perca o medo.
Quero que se dê chance,
Chance de se apaixonar de novo.

Quero fazer o título.


João Pedro M. S.
28/05/2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Liberta, Meu Preto, Meu Neto

Por onde passava luz
Via-se a marcada Vera Cruz
Impressão forte na aurora
Marca por certa hora

Então chegava meu preto,
O velho, meu ex-guerreiro
Passava por meu terreiro
Dizendo-me sem ser neutro

Salve! a meu povo afro
Ave!, meu antigo sinhô
Traz-me incenso e cravo
Força já me acabou

Venha grande Orixá
Ofereço-lhe o Ijexá
Mostra o Camdomblé
Liberta todo o Axé

Grita meu povo Banto
Chama o grande Nagô
Ouve o forte Jeje
Essa história não terminou

Fuja dessa senzala
Escuta nossos Voduns
Invoca este Nzambi
Deixa de ser só mais um

Bota essa guia e então
Lembra que não tá só
Aprende a fugir de ladrão
Mesmo que se cubra de pó

Chama teu Olorun
Escuta o zum zum zum
Conversa co’a natureza
Acha-me nesta beleza

Às vezes mistura com índio
Forma quilombo
Chega de carregar no lombo
E duvida de todo hominídeo

Mostra essa tua alma
Arruma tua nega
Cuidado, tenha calma
Que já já lhe chega

Reserva nossa cultura
Meu preto trabalha duro
Agora vê teu futuro
Esquece de minha amargura

Usa tua capoeira
Chama a nega no samba
Não fica de bobeira
Vá, meu cabra que é bamba

Bate forte o tambor
Porque agora eu já me vou
A luz fecha o véu
E eu subo de novo ao céu.




João Pedro M. S.
00:01 01/11/2012


terça-feira, 30 de abril de 2013

À Luna

Oi. Tudo bem?
Sou o João, fale.


Noite de lua,
Aluna,
Com luz refletida
Na lua.

Ilumina nossa cabeça,
Apresenta nosso caminho.
Falo para que não esqueça
E trato-te com muito carinho.

Luz de conhecimento
Azul, amarela
Ou tom cinzento.

No grafite cinza
Usas borracha.
Caneta e cores...
Trazem-te flores.

A lua ilumina
Enquanto escrevemos
Dito no caderno e no livro
Que já não é mais branco e aberto.
João Pedro M. S.
30/04/2013

quinta-feira, 28 de março de 2013


Ela se despediu de mim, acenei e caminhei. Então, ela deu tchau de novo.

João Pedro M. S.
22/03/2013

quarta-feira, 20 de março de 2013


Serei sempre(,) só(,) aquilo que sou:
Serei a sístole. E a diástole.
Serei prisão e a liberdade.
Serei tudo aquilo que lhe dou.

Serei limite e o infinito,
Serei prazer e água fria.
Serei amigo sem atrito,
Serei amor com rebeldia.

Serei feliz com poesia,
Com louvor e agonia.
Serei paixão e ódio raro,
Discrepância do contrário.

Serei só sem teu flavor;
Serei, só com teu amor.

João Pedro M. S.
24/09/2012

sábado, 16 de março de 2013

Eu. Você.


Eu gosto do jeito que você diz meu nome.

Eu gosto do jeito que você me olha.

Eu gosto do jeito que você anda.

Eu gosto do jeito que você ri.

Eu gosto do seu jeito.

Eu gosto.

Eu.

Você.

João Pedro M. S.
27/10/2012

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Reflexo

Foi amor à primeira vista
Te vi
Achei estranho
Reta e brilhante me cativa

Não sei se está molhada
Parece água
Palavras não fazem sentido
Pessoa polida e amada

Você não escorre e me imita
Que bizarro
Ahh... então você é sinistra?
Esse seu jeito me excita

Calma! Eu a conheço.
Não entendo
Quem é você?
Eu sou você, prazer.

João Pedro M. S.
09/01/2013