quinta-feira, 18 de setembro de 2014

É Para O Sorriso Que Me Volto

Eu estava louco para fazer uma poesia. Não consigo. Pensar em rimas, métricas e ainda por cima contar a história que pretendo está difícil.

Sem grandes pretensões. Só sorrisos me valiam. Não os tive. Discurso como um derrotado em algo que mal tentei. Este não é meu caminho, é para o sorriso que me volto. E em teu sorriso que me perco. Falo tudo e esvazio a cabeça feliz, sem perceber (ou me lembrar) que a mensagem também depende de quem a escuta.

A frase que mais me tem valido ultimamente é uma que minha amiga e irmã me apresentou: “Desista. Mas desista aos poucos para dar tempo de não desistir.”, do Eu Me Chamo Antônio”. É nisso que tenho me apoiado. E, como um difusor do riso, me ausento – muitas vezes até de mim mesmo.

Tive, por esses dias, a famosa vontade de matar o mensageiro. Não é justo, sobretudo ao pensar nisso como um gesto de cuidado. Será que o recado é de tudo ruim?

Meu cérebro constrói o pior cenário possível. Meus sonhos, a realização bela e perfeita. Meu polegar esquerdo apenas dá suporte para qualquer decisão tomada.

Tomei algumas. As imediatas já executadas, outras tantas se metamorfoseiam a cada recalcular.

Talvez não valha a pena pensar nisso, é para o sorriso que me volto e isso tende a trazer um semblante sério e preocupado; por horas beirando a tristeza.

E me esvazio. E me esvazio das palavras, das fotos, dos diálogos, até mesmo dos solitários. Mas, não desisto.

É para o sorriso que me volto.
16/09/2014

(C.C.)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Está Claro!

Não entendo muito de futebol. Na verdade, até entendo, não domino a parte dos times, escalações, os novos ícones do futebol brasileiro, os nomes gringos. Esse pedaço é que não sei.

Não entendo muito de muita coisa. Acho que até que não entendo muito de mim – faz sentido um ser ter devaneios e correr para escrevê-los?

Não entendo muito do nós. Tenho a sensação de que cada vez mais faltam nós ao nós. A dureza contemporânea ultimamente tem se mostrado mais próxima à noz.

Sem entendermos nada, buscamos criar nossas certezas, e o pior, ou melhor, ou neutro, tentar repassá-las como as verdadeiras. Até mesmo a certeza de que não se tem razão.

Que a chuva faça alguma coisa!

Vai que isso é mesmo apenas um rito de passagem... eu não aprendi a coreografia e tem sido tão divertido inventar uma nova dança a cada dia que eu temo ter que aprender essa tal de corretude, para não dizer co-retidão.

Deve ser importante investirmos em nós mesmos. Pessoalmente, sou adepto dessa linhagem. Mas outra sensação toma conta de mim, vejo bastante o autoinvestimento transformar-se em autopromoção. Por quê? Mais uma vez, não que isso esteja errado, não sei. No entanto, é isso realmente o que nos satisfaz?

Tenho buscado guiar-me pelo caminho da liberdade, não de forma hedonística, mas de autoconhecimento. Não deixar de possuir e exercer meus hábitos e gostos por conta do julgamento alheio ou de “pega mal não sei onde”. Quando censurei-me “pegou mal” não estar satisfeito comigo mesmo, a descomunhão mente-corpo, espírito, sei lá.

Vivo recentemente casos semelhantes, em que me são oferecidas alternativas: a “segura” ou a “pessoal”. Adivinhem qual eu tenho tomado!

– E daí? Ninguém me perguntou nada. (–) Está claro?
05/09/2014 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pequenas Coisas Me Comovem


Vejo no dia a dia tanta reclamação. Não que elas estejam erradas, mas... não me considero tão desesperançoso do mundo como maior parte dos adultos. Minha alma é infantil, e como as crianças (e Rousseau) acredito na bondade do ser humano. Reconheço que chovem "espertos" por aí, só que experimenta: deixa alguma coisa sua na mesa de um bar, sai e volta meia hora depois. Se levaram, umas oitenta pessoas boas passaram antes e com a consciência de que não lhes pertencia, não tocaram naquele objeto.

Sempre cuidei bem das minhas coisas, mas não sou exatamente apegado ao material. Se tenho, quero bem conservado. Se não, tanto faz.

Um tempo atrás o vendedor de churros, que me via todo dia no ponto de ônibus, passou a vender e eu só pagava na sexta-feira. Essa semana relembrei com um amigo como emprestar. Um desconhecido pediu seu violão emprestado. Por que não? Hoje a moça da banca me deu um voto de confiança. Não tinha dois reais trocados e não valia, para ela, trocar cinquenta. A Ana, da banca que fica em frente à farmácia em Botafogo, me espera quando eu puder voltar para dar seus dois reais. Antes dela, um mendigo orientou-me pelas ruas semelhantes. Nunca vi alguém tão cuidadoso com um estranho. Aquele é um homem rico, apesar de acender um cigarro na ponta do outro por não ter os dois reais que eu tinha para comprar um isqueiro na banca da Ana.

A bondade contagia. Digitei esse texto no celular, voltando, no ônibus. A meu lado sentou-se uma mulher com criança de colo dormindo. O ônibus não estava muito cheio, ainda assim me ofereci para trocar de lugar a fim de que a pequenina pudesse se deitar com mais conforto.

Foi só uma direção, só dois reais, mas coisas pequenas são maiores que as grandes. Para mim um sorriso vale mais que um discurso.


29/08/2014