quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Fado


Mundo apressado
Mundo mecanizado
Mundo desregulado
Mundo irritado
Mundo desorganizado
Mundo perturbado

Mundo dinâmico,
Mundo impaciente.
Mundo de pânico
E de gente ausente.

Mundo inorgânico
E de gente doente.

Mundo perverso,
Mundo alienado.
Mundo ao inverso
E desantenado.

Mundo de muito raso,
Mundo de superfície.
Mundo sem dar um passo
Nessa grande planície.

Mundo pouco pensado,
Mundo uniformizado.
Mundo bobo e invariado,
No máximo está molhado.

Mundo fraco.
Mundo parado no tempo
E no raciocínio.
Quase desinovado,
Mas muito desmotivado.

Mundo grande, mas sem espaço
Aos longos, que descompasso.
Mundo cheio de preguiça,
Mundo sem objetivo
Que não aguenta subjetivo
Não lê e enguiça.

Mundo, máquina não interpreta.
Mundo máquina do alfa e beta.
Mundo limpo sem entrelinha,
Mundo sujo sem estrelinha.

Mundo à mostra
E posto à prova.
Foi-se a trova,
É terra nostra.
Mundo varrido,
Mas empoeirado.
Mundo rompido,
Pois escavado.

Mundo poeiril,
Mundo também vil.
Mundo nada sutil.
Mundo que tem Brasil.

Mundo todo recortado,
Mundo todo colado,
Mundo todo desperdiçado.
Mundo em demasiado.

João Pedro M. S.
31/10/2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Nem Todos



Nem todos leem um texto e se emocionam. Nem todos ouvem uma música e se identificam.

Ainda bem. Qual seria a graça se a mesma música ou o mesmo texto significasse a mesma coisa para todos? Não haveria individualidade, não haveria singularidade de emoções. Não haveria personalidade.

Nem todos veem os esboços de gestos que são contidos apenas o suficiente para que o outro perceba e ao mesmo tempo tenha uma dúvida. Nem todos amam.

Nesse caso já não tem como saber. Será que a cegueira e a frieza são boas coisas? Deixaríamos de sofrer, mas também deixaríamos de ter aquela respiração ofegante ou de ficar vermelho só por falar com alguma pessoa em especial.

Nem todos têm braço. Nem todos têm perna. Nem toda diferença é boa, mas como posso julgar tendo eu todos os membros?

Nem todos sabem ler. Nem todos sabem amar. Nem todos sabem ser. Nem todos sabem o que vão fazer amanhã. A única coisa que todos sabem é que nem todos sabem fazer tudo.

João Pedro M. S.
30/10/2012

sábado, 20 de outubro de 2012

I'm running from the wave,
How should I behave?
What about if I was running against the sea,
What would I see?
What about if I jump into the sky?
Would I learn how to fly?

João Pedro M. S.
20/Outubro/2012 - 13:59

Verdade


A Verdade dá poesia
Ou a Verdade da poesia
Não é a mesma do dia-a-dia
E não deve ser a única via

A Verdade do positivo
Não se mede pelo contraste
Não se faz pelo negativo
Não tem sequer uma haste

A Verdade do Empirista
Não é só mais uma na pista
Talvez seja uma na vista
Tato, olfato; característica

A sua verdade é desigualdade
Minha verdade é ver a idade
A nossa verdade é viver em cidade
Dizer que há verdade é uma maldade.

João Pedro M. S.
20/Outubro/2012 - 01:53