Nem todos leem um texto e se emocionam. Nem todos ouvem uma música e se identificam.
Ainda bem. Qual seria a graça se a mesma música ou o mesmo texto significasse a mesma coisa para todos? Não haveria individualidade, não haveria singularidade de emoções. Não haveria personalidade.
Nem todos veem os esboços de gestos que são contidos apenas o suficiente para que o outro perceba e ao mesmo tempo tenha uma dúvida. Nem todos amam.
Nesse caso já não tem como saber. Será que a cegueira e a frieza são boas coisas? Deixaríamos de sofrer, mas também deixaríamos de ter aquela respiração ofegante ou de ficar vermelho só por falar com alguma pessoa em especial.
Nem todos têm braço. Nem todos têm perna. Nem toda diferença é boa, mas como posso julgar tendo eu todos os membros?
Nem todos sabem ler. Nem todos sabem amar. Nem todos sabem ser. Nem todos sabem o que vão fazer amanhã. A única coisa que todos sabem é que nem todos sabem fazer tudo.
João Pedro M. S.
30/10/2012
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