Maioridade. Vestibular. Relacionamentos. Essa tríade comumente assola a
cabeça de jovens estudantes, que, geralmente, buscam uma maneira efetiva de
equalizá-la. O grande problema se exibe quando, no lugar da redação impessoal,
cada um deles tem uma voz ativa em primeira pessoa.
Será que é possível ser tão generalista e tão intimista ao mesmo tempo?
Para mim, sabendo encaixar-se bem nos espaços entre as palavras, sim. Vivemos
em um ambiente de risco em que o espaço entre o ponto e o próximo caractere
pode, sim, ser um refúgio (assim como os abraços). As carreiras mais
reconhecidas são as de maiores riscos. Nessa lógica, os praticantes de esportes
radicais se destacariam, mas falo, aqui, dos riscos de decisões.
É isso! Acima de tudo, maioridade, vestibular e relacionamentos são
momentos de decisões importantes. É preciso decidir a lista de convidados e o
lugar adequado para a festa dos dezoitão. É importante definir uma carreira
promissora e que tenha conexão com seus próprios gostos. É necessário abdicar
um pouco de si em prol de um coletivo. É um grande conjunto que exige
fidelidade, e não uso fidelidade no
sentido conservador. É bom quando conseguimos tomar tantas decisões (de risco)
sendo fiéis a nós mesmos. Mas, de novo, falo de um coletivo para tantas
escolhas pessoais.
Para os leitores que se enquadram na descrição do começo, aviso logo:
relacionamento não é necessariamente uma relação amorosa a dois. Se você se
identificou, pense na relação que tem com as pessoas com quem divide lar, pense na
relação professor-aluno, na relação aluno-aluno, na sua relação consigo mesmo,
e, por que não, numa possível relação de afeto mais íntimo? Você tem sido fiel a si mesmo? Tem sido fiel às suas decisões?
Tem conseguido fazer decisões? Já decidiu o que vai almoçar hoje? Imagina
só abandonar o uniforme escolar, qual roupa colocar? Será que eu vou ler até o
final? Se procura respostas, já pode parar a leitura e ir para outra atividade.
São meras questões de escolha com consequências, desdobramentos e riscos
elevados, pelo menos para os que estávamos acostumados. Eu escolhi ver a
maioridade, o vestibular e os relacionamentos como ritos de passagem. Depois da
primeira vez, fica tudo tão corriqueiro.