quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Tríade passageira

Maioridade. Vestibular. Relacionamentos. Essa tríade comumente assola a cabeça de jovens estudantes, que, geralmente, buscam uma maneira efetiva de equalizá-la. O grande problema se exibe quando, no lugar da redação impessoal, cada um deles tem uma voz ativa em primeira pessoa.

Será que é possível ser tão generalista e tão intimista ao mesmo tempo? Para mim, sabendo encaixar-se bem nos espaços entre as palavras, sim. Vivemos em um ambiente de risco em que o espaço entre o ponto e o próximo caractere pode, sim, ser um refúgio (assim como os abraços). As carreiras mais reconhecidas são as de maiores riscos. Nessa lógica, os praticantes de esportes radicais se destacariam, mas falo, aqui, dos riscos de decisões.

É isso! Acima de tudo, maioridade, vestibular e relacionamentos são momentos de decisões importantes. É preciso decidir a lista de convidados e o lugar adequado para a festa dos dezoitão. É importante definir uma carreira promissora e que tenha conexão com seus próprios gostos. É necessário abdicar um pouco de si em prol de um coletivo. É um grande conjunto que exige fidelidade, e não uso fidelidade no sentido conservador. É bom quando conseguimos tomar tantas decisões (de risco) sendo fiéis a nós mesmos. Mas, de novo, falo de um coletivo para tantas escolhas pessoais.

Para os leitores que se enquadram na descrição do começo, aviso logo: relacionamento não é necessariamente uma relação amorosa a dois. Se você se identificou, pense na relação que tem com as pessoas com quem divide lar, pense na relação professor-aluno, na relação aluno-aluno, na sua relação consigo mesmo, e, por que não, numa possível relação de afeto mais íntimo? Você tem sido fiel a si mesmo? Tem sido fiel às suas decisões?

Tem conseguido fazer decisões? Já decidiu o que vai almoçar hoje? Imagina só abandonar o uniforme escolar, qual roupa colocar? Será que eu vou ler até o final? Se procura respostas, já pode parar a leitura e ir para outra atividade.

São meras questões de escolha com consequências, desdobramentos e riscos elevados, pelo menos para os que estávamos acostumados. Eu escolhi ver a maioridade, o vestibular e os relacionamentos como ritos de passagem. Depois da primeira vez, fica tudo tão corriqueiro.