sexta-feira, 28 de março de 2014

Cinderela

          O medo de todo ator hoje se tornou realidade: o palco me engoliu. Fui distraído por minha imaginação. Desejava ser engolido por aqueles lábios que levavam consigo um sotaque único, uma frase cantada, uma melodia cotidiana - completamente enlouquecedora. O exercício do dia era perder um dos sentidos, nem fiz esforço. Olhei e fiquei cego. Escutei, não fiquei surdo. O tato se fez oposto. Olfato era que fazia caminhos. Paladar nem passei perto.

          Maldita cegueira, me arremeteu a 2010, meu primeiro ano de teatro. Desafios não paravam de surgir e a timidez ia aos poucos se despedindo. Hoje a timidez já está tão longe que se nos cruzarmos eu nem a reconhecerei mais, no entanto eu não sei como, ela fez nessa última aula uma pequena visita. Eu tentava falar e não articulava, a imaginação que antes me escorria virou, naquele momento, um poço fundo, vazio e obscuro. Completa-me.

          Ano de 2010. Eu, adolescente, ganhando confiança e começando a aparecer. Aparecer para mim mesmo, me conhecer e tudo mais. A tarefa era misturar dois personagens da Disney, minha dupla era a melhor de todas as princesas - fugir da breguisse é difícil, é essa a descrição ideal. Na época, aquela era a princesa e eu era o irmão do filho do sapo, me achava muito distante, mal sabia eu que ser irmão do filho do sapo era ser apenas um sapinho ou um girino em crescimento. Eu fui o Capitão Gancho e ela, a Cinderela. Deveríamos encenar o encontro entre o pirata e a princesa, ideias não faltavam, mas perto dela todas eram ruins. Fomos pensando, pensando e acabou a aula. O Capitão Gancho nunca conheceu a Cinderela.

          Hoje foi parecido. Perdi os sentidos, mas não aqueles que a professora pediu. Quem sabe isso tenha sido bom, somos tão cobrados a viver e sentir o que fazemos em palco. Ah, se eu tivesse feito a cena. Fiquei perdido e acho que ainda estou. O cego não conheceu a surda. O Capitão Gancho não conheceu a Cinderela. Mas, será que ainda dá tempo de você esquecer um chinelinho?


28/03/2014 (V.V.)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Artesã Àquele Afrontado Amigo


Antes, algum acalentador amor auspicioso aliançava anel a agitado artelho atento.

– Aceito! – Aparentemente abobada. Abraçaram. Avenida, alheia, assistindo aos alegres, afetuou.

Abençoando apresentável atitude, abordando amantes, acolhendo acenos, aludindo australopitecos (aumentáveis afirmações). Aplaudiram, assoviaram. Acolheram. Agendaram.

Aniversariante atendeu atarefada. Assessor autorizou avanço – agradeceram. Apontou. Ali acessava agito, aglomerado, algazarra. Ameríndio, acompanhando artesã, adentrava ao ambiente, aonde avistavam astronauta, anfíbio, autoridade, ave, avião, arqueiro, abóbora, aeromoça, alga, acadêmico, árvore, árabe, alienígena, açougueiro, animais, armadura, advogado, até automóvel – astutos adornos articulados.

Antiteticamente, aparecia a abstrata arte acesa. Avistava ambiguamente a astronauta; aeronave, águia, avião? Apenas alegorias.

Anoitecia. As anotações apodreciam. Aumentavam atritos, ao acaso amores adversários, antagônicos. Arte aliada a amiga afeiçoavam. Arquipélago aos aleatórios. Anfitriã arregimentava albergue, arrebentado aposento – amplo apartamento alugado. Aflita, a assustada angústia adornava abrigo, acompanhava, atingindo, alucinando a aquietada artista. Automaticamente afastou a antiga aflição, assemelhada a agressão abafada.

– Ai. Ajuda. – Alertava aurículo.

Acrescentava a atração à amizade. Arrefecia apaixonamento apreensivo. A anca acompanhava a admirada arte adornada, abordando-a avidamente. Assim a animada atitude acontecia. Avançava, atingia. Adiava acasalamento. Atração axiomática. Aproximaram, assediaram. Aceleraram, aproveitaram. Agarraram. Aventura. Aqueceram, acenderam. Ascenderam. A antiga afeição ao antecessor ameríndio amarelara ao ápice. Aperfeiçoava amálgamas: ânsia, anja; afago, agressão; agridoces alternativas antagônicas. Aluno aprendeu: adultério.

A artigo artístico andava agora aliada, ambas astutas, afortunadamente acompanhadas, atualmente atuavam anonimato. Ao antecessor, aliás, abstinência apenas; acabou abandonado. Admitiram alterego. Aguentaram. Aconteceu a ação apertada através abertura. Amigo árido andando acuado afastou àquele amargo ambiente. Autoritário ao avesso administrou álcool, afogou absinto. Agonizando, aterrissaria atrapalhado amanhã. Assentou. Aéreo, ascendeu a adulta aura aflita, aficionada àquela antiga artista americana, à abóboda além, afastando adictas aflições angustiantes. Adormecia apático, abatido. Apagava aceso amor – alívio(?). Avisou, ameaçou. Achava-a ardilosa, asquerosa – audaciosa. Argumentou ao antônimo. Atropelou anciãos. Atravessou agudo, afiada adaga. Arranhou. Armou. Acometeu. Acatou arquitetado acidente alarmante – armadilha acentuada.

Acharam, avistaram. Apontaram. Abanaram. Alumiaram. Alimentaram. Ar! – altissonante. Afastaram. Atordoado autodestruiu. Analisaram. Averiguaram. Aferiram. Abalaram. Apitaram. Aversão a aqui. Arpou afinada arte, adquiriu anestesia atemporal. Afetou. Amoleceu. Asfixiou. Apagou. Apodrecia. Antropomórfico arrependimento. Alma ali ausente. Atiraram assertivas armadas, aríete ao alvo. Ataque arrogante – anunciavam alto. Altruísmo – apaziguaram acertadamente. Após aterrorizante apedrejamento, aptos arrastaram assunto abaixo. Acreditaram. Abrupta atrocidade. Ambulância! Alguns acalmaram, abrandaram. Aparelharam. Agentes acudiam arredores.

Avançando, ainda ateu, aspirava alcançar alguma andorinha adolescente acima – ambição –, adiantadamente apelidada “atriz” – artesã austeramente acabou. Asas ao alado abutre. Agosto amanhecia ansioso, afinal, arterialmente acordou alinhado. Acordou azul apenas à artefato ambulante.


Assinado,
A autora.