É algum tipo
de crime não gostar de futebol? A Copa pouco me incomoda, mas comecei a
perceber que até os blogs só falam disso, até mesmo blogs de moda têm falado da
Copa de um jeito ou de outro.
Eu
não gosto de futebol e eu não gosto de carnaval, mas não é difícil me agradar
com os dois, basta estar animado. Mesmo não sem gostar, se a alegria estiver
reinando, tendo a buscar o lado bom da coisa. Foi assim até com a Copa.
Eu
não vejo o Brasil como um país muito nacionalista e, diferentemente da maioria,
não vejo isso como um defeito propriamente dito. O país cavou um desgosto
popular e eu não estou falando de doze anos de PT. As reclamações são mais
profundas, maior parte dos que me leem não estão nos grupos de risco e chamam o
Bolsa-Família de Bolsa-Esmola.
Triste é ver
um povo tão desunido que o único motivo que leva-o a vibrar em mesma sintonia é
um evento de quatro em quatro anos com onze jogadores em campo cantando o hino
e ostentando no peito o escudo da seleção. Jogadores que tornam-se
equivocadamente responsáveis por um peso e uma carga que não corresponde a
eles. O dever deles é jogar futebol e se possível ganhar o jogo. O dever deles
não é unir uma nação em meio a algum problema político ou qualquer outro tipo
de desagrado comum.
Mas o
brasileiro é preguiçoso. Votar é muito chato e as opções são péssimas. Muito
mais fácil jogar uma carga sobre os onze que nós nem sequer conhecemos e então
a paz reina por quiçá uns seis meses. E depois?
O jornal que
chega a minha casa desde o início da Copa só apresenta manchetes ligadas ao
evento. – Eu não fui convidado. – Lembra-me as manchetes do Carnaval, dos
blocos cheios, do lixo na rua etc.
Torço, sim,
pelo Brasil na Copa e pela primeira vez na vida consegui me emocionar com um
jogo de futebol. Novamente com a mania dos brasileiros de imputar culpa e
responsabilidade sobre alguém. O nome das vezes foi Júlio César, agora,
positivamente.
É estranho
também ir assistir a jogos em locais públicos. Vejo pessoas chorando, gritos
emocionados, apostas, e quando a bola sai pela lateral eu tomo um gole do que
estiver bebendo, quando o Brasil toma um gol tomo outro, quando o Brasil faz um
gol abro um sorriso meio amarelo (já que nada na minha roupa é verde e
amarelo), sacudo a cabeça e tomo outro gole.
Depois disso,
eu penso (ou tento): com a taça em casa, o que isso interfere na minha vida?
Copa pra quê? Nada, não sei. Mas está tendo e com muitos feriados. Vai, Brasil!