Do nosso
mirante eu vejo a gente,
nosso futuro distante, lá longe, pequenininho,
e o horizonte que dessa vez se confunde com mar.
Olho de cima da laje pra minha comunidade.
nosso futuro distante, lá longe, pequenininho,
e o horizonte que dessa vez se confunde com mar.
Olho de cima da laje pra minha comunidade.
Quanto menos concreto, mais em casa me sinto.
Mas a laje
não é pra todo dia
e o de hoje
está nublado feito a minha cabeça.
Nem parece que esse céu já esteve aquele rosa das suas bochechas de quando eu contava uma piada sem graça qualquer.
Nem parece que esse céu já esteve aquele rosa das suas bochechas de quando eu contava uma piada sem graça qualquer.
Será que sente saudade?
Será que ainda tem meus presentes?
Eu ontem ganhei uma flor de dobradura, sabia?
Dei de presente pra mim. Há tanto tempo eu não ganhava nada.
As flores insistem em nós seguir e, caso faltem, tem um parque inteiro do outro lado da rua.
A vista daqui de cima é tão calma.
A voz falhada do segurança que usa sempre a mesma roupa pareceria um grito se ele não fosse mais um xamã do parque.
Esse silêncio é tão bom.
Posso te
ouvir como se estivesse aqui.
Mas assim
que paro pra responder olho pro lado
e não tem um
sorriso me olhando de volta.
Pensei em
dormir no meio dos troncos
só pra te
visitar por quinze minutos.
Mesmo sozinho
me sinto bem acompanhado.
(Deveria
escrever sozão, sou uma miniatura daqui.)
Hoje vou
abraçar uma árvore
(e acho que
indiretamente isso significa um abraço no segurança).
Faltou só a água cair da cachoeira.
Faltaram os
patos da lagoa que levam esse nome.
As folhas caídas dançam o silêncio.
As ondinhas da lagoa refletem aquele céu que eu não quero ver, então é melhor olhar pra dentro mesmo.
Só não é
agradável assim...
Dessa vez é sozinho mesmo.
Dessa vez é sozinho mesmo.
Não tem nem
uma criança linda,
cujo sorriso
fala mais que uma pilha de livro,
pra gente
fingir que é nossa.
Mas talvez
seja isso mesmo,
fingimos.
Atuamos tão
bem.
Atuávamos.
Mas a
realidade passou.
Não, na
verdade.
A realidade
é sempre.
A criança
não era nossa,
era
emprestada,
e era também
cedo pra pensar em qualquer coisa que não nós dois.
Continua meio tarde pra tudo...
Comecei a escrever tardiamente,
Comecei a escrever tardiamente,
a chuva veio
me visitar,
mas tem umas
árvores me pedindo pra pelo menos terminar isso aqui.
Sabe que eu
não quero... Nada que leva teu nome pode ter final.
Então faço das memórias meu presente,
era perfeito,
agora, pretérito.
Então faço das memórias meu presente,
era perfeito,
agora, pretérito.