Professor: s.m. aquele que ensina.
Professor, costumam dizer que é
importante. Será mesmo?
O que seria de uma nação sem os
médicos? Risco perene. O que seria de uma nação sem os policiais? Risco perene.
O que seria de uma nação sem bombeiros? Risco perene. O que seria de uma nação
sem o gari? Risco perene. O que seria de uma nação sem juízes? Risco perene. O
que seria de uma nação sem engenheiros? Risco perene. O que seria de uma nação
sem jornalista? Risco perene. O que seria de uma nação sem o oficial das forças
armadas? Risco perene.
Seria risco de vida a cada corte
profundo. Seria risco de violação da segurança ainda maior. Seria risco de não
haver segunda chance para qualquer acidente. Seria risco de nem sequer
locomover-se em meio ao lixo. Seria risco de não haver justiça. Seria risco de instabilidade. Seria risco da alienação. Seria risco nacional. Seria isso e
muito mais.
Agora digam, quem é o professor?
Não cura ninguém, não protege
ninguém, não salva ninguém, não asseia ninguém, não julga ninguém, não constrói
para ninguém, não engaja ninguém, não defende ninguém; não constrói ninguém.
Será?
Quem seria o médico se ninguém
lhe ensinasse tudo aquilo que ele sabe durante os longos anos de faculdade?
Quem seriam os policiais se não tivessem a capacidade de redigir os boletins de
ocorrência ou a mentalidade para portar uma arma? Quem seriam os garis sem alto
conhecimento urbano local? Quem seriam os juízes que não poderiam ler a
constituição? Quem seriam os engenheiros que não saberiam fazer cálculos? Quem
seria o jornalista sem a capacidade de relatar? Quem seria o oficial das forças
armadas que não poderia julgar e conhecer seus atos e responsabilidades?
Não importa qual sua profissão,
provavelmente você precisou de um instrutor.
O professor cura carências das
jovens crianças ansiando por mostrar aquilo que descobriram. O professor
protege seus alunos da alienação, salvando-os do desconhecimento. O professor
asseia o julgamento possibilitando uma autodefesa e, futuramente, a construção
de um cidadão capacitado.
Tem fama de ganhar mal e não ter
muita coisa para fazer, apenas repetir em cada turma as mesmas aulas, tratar
dos mesmos comportamentos, corrigir as mesmas provas, consertar os mesmos
erros, redizer os mesmos sermões e repetir tudo ano que vem.
É só a profissão mais importante
que existe. Talvez não seja coincidência professor e profissão terem sons tão
semelhantes, não sei. Forma uma pessoa, há coisa mais importante que isso?
Basta pensar: prédios de mais de 30 anos, alguns edifícios com algo em torno de
150 anos, outros construídos há mais 3.000 anos, como se mantêm em pé? Simples:
base sólida, estrutura sólida. Como então um ser pensante pode durar um bom
tempo lúcido, não alienado, questionador? Simples: base sólida. O construtor dessa
base quem mais poderia ser? O professor.
Ele é como o leão. Uma das
exemplificações da vida dividida em funções: a fêmea na caça e o macho na
vigília. O professor é a fêmea e o macho ao mesmo tempo, a caça antes de ser
feita pelas leoas mais novas é ensinada pelas que têm mais prática, assim as
calouras aprendem técnicas de cerceamento e de corrida para perseguir a presa,
por exemplo. O professor ensina tudo aquilo que sabe na esperança de que seu
aluno desenvolva a técnica do raciocínio e um dia não precise mais dele. Além
disso, ele observa, acompanha e organiza o desenvolvimento de sua turma. O
professor é a mãe especializada. Se não fosse pela alta absorção de práticas e
por conseguinte conhecimento por parte dos homo
sapiens sapiens o professor não existiria, seria apenas mais um indivíduo
repassando suas experiências ao mais novo. No entanto, a “evolução” humana não
ocorreu desta maneira, ela não só se deu por base empírica, se deu também por
bases cumulativas de inteligência de tal forma que as descobertas humanas
passaram a somar tamanho nível de conhecimento que um único indivíduo não seria
mais capaz de repassar tudo ao próximo; assim começou a mudança da função
materna na sociedade humana. A mãe e o pai, que antes ensinavam tudo à cria,
não possuem mais tal capacidade, os conhecimentos tiveram de ser fracionados em
vários especialistas pontuais. Parte desses especialistas, além de
especialistas em determinada área de conhecimento, é responsável também por
ensinar à próxima ninhada aquilo que sabem, estes são os professores.
Trabalham exaustivas horas por
dia, às vezes ultrapassando 12 horas de trabalho diário. Uma total entrega e
abnegação. Reconhecimento quase nulo tanto daqueles que aprendem quanto do
empregador.
Ao mesmo tempo sabido que tal profissão
de paixão pelo ofício que resulta em uma média de expectativa de vida inferior à
de outras profissões - no mesmo grupo dos médicos, psicólogos e afins - é uma
das mais gratificantes que ele poderia ter, não por ser uma entra as mais
fundamentais para a existência da civilização como se vê atualmente, mas por
ser a que lhe dá mais retorno, não monetário, mas passional.
O professor acompanha o
aprendizado, a capacidade da superação, a ultrapassagem de barreiras de
dificuldade e retirada de dúvidas, principalmente aquelas em que o aluno – sem luz – não pergunta, mas nota por
outros casos o comum e acaba por induzir o raciocínio e então esboça o sorriso
de contentamento ao saber que ele é capaz de pensar.
Atos simples – uma criança
ajudando outra, um colega explicando de uma outra forma, um aluno errando e
querendo saber o motivo – que lembram ao professor o motivo de ele estar ali e
voltar, todo dia, todo ano, para dar, a mesma, aula.
Coitado, ele é só um professor.
João Pedro M. S.
28 de outubro de 2012
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