terça-feira, 15 de abril de 2014

Bicho

     O medo é um bicho estranho, nos deixa mudados. Traz uma insegurança, uma instabilidade (interna).

     Estranho, logo eu, que não temo mudanças, amo novidades e abomino a rotina. Medo. Só não pergunto o que será do amanhã, porque isso pouco me interessa. Não que eu seja um inconsequente, não é isso, mas nem todos os sacrifícios valem uma vida.

     Medo me fez afastar-me, um pouco de tudo, um pouco de mim. Pus-me um tanto só, mas nunca completamente. Além dos que se aprochegam, há uma companhia perpétua ao meu lado, um cara pequeno, um cara literalmente cara, um cara sorridente. Não sei o nome dele, não sei nem se devo dar, mas, por favor, continue a sorrir.

     Medo. Exteriorizar o medo é deixá-lo exposto para que todos se aproveitem e para que ele seja reconhecido. É, também, expulsá-lo lá de dentro e abrir mais uma vez o vazio. Abrir e adentrar aquele beco escuro de paredes negras que falei em outro texto. Medo. Medo é me faltarem textos. Medo é me faltarem vidas. Medo é me faltarem amores. Medo é me faltarem inspirações.

     Meu maior medo é escrever todas as minhas ideias.