segunda-feira, 25 de junho de 2012

Descendo do meu Cavalo Branco


    Já não me lembro mais da data, nem da hora. Chuto algo em torno de dez da noite. Rumávamos nossas respectivas casas, na interseção dos caminhos conversávamos.
    Era sabido por você e por todos meu interesse extra-amigal, nunca foi segredo. Começado em Fevereiro e terminado em... bem, não sei quando. “Tudo” começou no churrasco, em que, de fato, perceberam esse algo a mais.
    Meses passaram, suas amigas me diziam: “ela quer, só tenha calma”, outra: “ela quer, mas precisa de clima”, e calmo eu segui. Por mais que tenha sido avisado continuei tendo dúvida, nunca soube de verdade se era possível, uma incerteza, um frio na barriga.
    Certo dia, voltando àquela noite, saíamos de bicicleta, juntos e sozinhos, até então era comum. Falamos de muitas coisas, mas para nós dois, o principal era aquele assunto. Estudávamo-nos, aliás, eu a estudava.
    Já na conversa, surge:
    − Tá ficando com alguém? – pergunto.
    − Não, − pausa – e você? Tá pensando em alguém?
    Nisso, gelo. Não sabia o que dizer, disse a verdade então – não precisava dizer quem... Jogávamos conversa fora e voltávamos ao ponto principal após cada momento de descontração. Falamos de namoro, passado, presente e “futuro”; de expectativas, decepções, desejos e pouco mais.
    Eu já transtornado no desejo de tê-la resolvi então descer de minha bicicleta, pará-la e dizer-lhe tudo que sentia, com leve intuito da reciprocidade. Comecei a pensar: “quando ela parar de falar eu faço. Não! Quando ela perguntar eu respondo com um beijo! Burro, desce na frente dela, segura sua mão, ou não, e diz logo!”.
    Após longo período de reflexão, disse já parando meu cavalo branco elegante à sua frente: “Você sabe. Eu to a fim de você há um tempo, não sabia como te dizer, quero que você deixe de ser assunto de meus textos para fazer parte de mim. Não quero nada necessariamente sério, vamos deixar rolar...”. Ela sorriu, ainda de cabeça baixa, me aproximei, nos olhamos lentamente e então eu a beijei, de pronto ela respondeu. Paramos por um instante, sorrimos sem descolarmos um do outro, de mãos dadas ficamos e recomeçamos. Tínhamos que voltar para casa, infelizmente. Pegamos nossas bicicletas e voltamos ao nosso caminho. Na porta de sua casa mais um beijo, dessa vez rápido, curto, e eu a via descendo a ladeira.  ― Isso tudo sonhei.
    Nada aconteceu.
    Mais um longo tempo se passou, cada vez mais próximos um do outro. Isso me confortava.
   Até que chegou a hora, mas fui arrastado pela onda de um surfista e o grito da oca fez sinhá me chamar. Logo em meu aniversário ― tragédia.
    Desde então vejo que me evita, me olha ainda, mas não fala. Triste, não? Às vezes acho até que percebo alguns ciúmes; calma, ela é somente uma amiga.
    Sabe, tento me chegar a você. Creio que abrir o jogo é sempre o melhor, pena que não me permite. Cansei, triste isso... hoje estou aqui, sentado, escrevendo, me lembrando do que pensava e queria, ou quero (só por raiva ou por orgulho), nem eu mais sei.

João Pedro M. S.
7 de Junho de 2012
                

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