O problema não é ser contra algum modelo atual. O problema é que somos tão condicionados a pensar de uma maneira que até na hora de fugir desse modelo, temos que fugir por meio de outro modelo.
Não o abandonamos, o substituímos.
A capacidade da imaginação e da liberdade foi tão atrofiada que apenas pensar que não precisamos seguir uma linha pré-determinada é estranho, o normal é nos "encaixarmos", esquerda ou direita, por exemplo. Vivemos em um mundo tridimensional, tem muito lado que ainda não foi descoberto (ou inventado).
Temos a liberdade de optar, mas a liberdade tem sido confundida com obrigação. A liberdade da escolha, por exemplo.
O que é liberdade? Se fossemos mesmo livres não precisaríamos de regras dizendo que não há regras para algumas coisas.
Não é tão difícil de compreender quando se teve uma educação básica. No entanto, não temos autorização para ensinar a verdade. Vamos estudar então superficialmente as fazendas:
Por ganância de alguns grupos iniciaram-se os cercamentos. Depois, tentaram expandir esses cercamentos. Esses novos espaços cercados diziam que eram um cercamento a parte, portanto não deveriam ser fagocitados por um outro cercamento, por isso agora se afirmavam um cercamento independente. Esses cercamentos agora têm a liberdade e obrigação de optar por um dos dois modelos oferecidos pelos outros cercamentos e então algumas portas e janelas se abririam de um cercamento a outro, variando de acordo com interesses e com o modelo escolhido.
Aqueles que "tomam conta" dessas áreas cercadas se esqueceram que nessas zonas há animais. Esses animais tiveram a sorte ou o azar - na realidade, a simples coincidência - de nascer dentro de um desses cercamentos. Por isso, agora, esse animal deve defender até sua morte a liberdade que tem de viver dentro desse cercamento e, caso se mostre um animal comportado e produtivo, quiçá possa transitar entre os cercamentos, desde que traga ao seu de nascença algo novo.
Depois de um tempo, o gado percebeu que não era de fato livre. Para solucionar esse problema, os "pastores" decretaram que agora o gado escolhe quem será seu pastor, porém não pode optar pelo modelo, criar um novo então está fora de cogitação. O gado é ensinado a não pensar.
O gado dificilmente percebe que não é livre, que não decide nada. O gado escolhe apenas quem o leva ao abatedouro, o final é sempre o mesmo: o gado é morto; parte é para corte, parte foi para leite, outra parte apenas para reproduzir, fato é que todos foram usados e todos têm o mesmo fim.
Eu sou o gado.
É como a Síndrome de Estocolmo.
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