sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Bom Dia


Aqueles que me conhecem sabem o quanto eu penso sobre o sonhar. Parace até meio antitético pensar algo que acontece e que não tem muita explicação, mas essas coisas inexplicáveis são as que fazem surgir em mim os maiores turbilhões de curiosidade – é óbvio, elas quase sempre não podem ser explicadas.
Depois do sonho de hoje acordei com aquela inquietude que a mim soa quase como cotidiana, apesar disso ainda percebo que a de hoje não me vem tão corriqueiramente. É isso, há algo de especial na confusão que acordou comigo esta manhã.
Os sonhos pareciam tão organizados...
03/10/2014

(C.C.)

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

É Para O Sorriso Que Me Volto

Eu estava louco para fazer uma poesia. Não consigo. Pensar em rimas, métricas e ainda por cima contar a história que pretendo está difícil.

Sem grandes pretensões. Só sorrisos me valiam. Não os tive. Discurso como um derrotado em algo que mal tentei. Este não é meu caminho, é para o sorriso que me volto. E em teu sorriso que me perco. Falo tudo e esvazio a cabeça feliz, sem perceber (ou me lembrar) que a mensagem também depende de quem a escuta.

A frase que mais me tem valido ultimamente é uma que minha amiga e irmã me apresentou: “Desista. Mas desista aos poucos para dar tempo de não desistir.”, do Eu Me Chamo Antônio”. É nisso que tenho me apoiado. E, como um difusor do riso, me ausento – muitas vezes até de mim mesmo.

Tive, por esses dias, a famosa vontade de matar o mensageiro. Não é justo, sobretudo ao pensar nisso como um gesto de cuidado. Será que o recado é de tudo ruim?

Meu cérebro constrói o pior cenário possível. Meus sonhos, a realização bela e perfeita. Meu polegar esquerdo apenas dá suporte para qualquer decisão tomada.

Tomei algumas. As imediatas já executadas, outras tantas se metamorfoseiam a cada recalcular.

Talvez não valha a pena pensar nisso, é para o sorriso que me volto e isso tende a trazer um semblante sério e preocupado; por horas beirando a tristeza.

E me esvazio. E me esvazio das palavras, das fotos, dos diálogos, até mesmo dos solitários. Mas, não desisto.

É para o sorriso que me volto.
16/09/2014

(C.C.)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Está Claro!

Não entendo muito de futebol. Na verdade, até entendo, não domino a parte dos times, escalações, os novos ícones do futebol brasileiro, os nomes gringos. Esse pedaço é que não sei.

Não entendo muito de muita coisa. Acho que até que não entendo muito de mim – faz sentido um ser ter devaneios e correr para escrevê-los?

Não entendo muito do nós. Tenho a sensação de que cada vez mais faltam nós ao nós. A dureza contemporânea ultimamente tem se mostrado mais próxima à noz.

Sem entendermos nada, buscamos criar nossas certezas, e o pior, ou melhor, ou neutro, tentar repassá-las como as verdadeiras. Até mesmo a certeza de que não se tem razão.

Que a chuva faça alguma coisa!

Vai que isso é mesmo apenas um rito de passagem... eu não aprendi a coreografia e tem sido tão divertido inventar uma nova dança a cada dia que eu temo ter que aprender essa tal de corretude, para não dizer co-retidão.

Deve ser importante investirmos em nós mesmos. Pessoalmente, sou adepto dessa linhagem. Mas outra sensação toma conta de mim, vejo bastante o autoinvestimento transformar-se em autopromoção. Por quê? Mais uma vez, não que isso esteja errado, não sei. No entanto, é isso realmente o que nos satisfaz?

Tenho buscado guiar-me pelo caminho da liberdade, não de forma hedonística, mas de autoconhecimento. Não deixar de possuir e exercer meus hábitos e gostos por conta do julgamento alheio ou de “pega mal não sei onde”. Quando censurei-me “pegou mal” não estar satisfeito comigo mesmo, a descomunhão mente-corpo, espírito, sei lá.

Vivo recentemente casos semelhantes, em que me são oferecidas alternativas: a “segura” ou a “pessoal”. Adivinhem qual eu tenho tomado!

– E daí? Ninguém me perguntou nada. (–) Está claro?
05/09/2014 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pequenas Coisas Me Comovem


Vejo no dia a dia tanta reclamação. Não que elas estejam erradas, mas... não me considero tão desesperançoso do mundo como maior parte dos adultos. Minha alma é infantil, e como as crianças (e Rousseau) acredito na bondade do ser humano. Reconheço que chovem "espertos" por aí, só que experimenta: deixa alguma coisa sua na mesa de um bar, sai e volta meia hora depois. Se levaram, umas oitenta pessoas boas passaram antes e com a consciência de que não lhes pertencia, não tocaram naquele objeto.

Sempre cuidei bem das minhas coisas, mas não sou exatamente apegado ao material. Se tenho, quero bem conservado. Se não, tanto faz.

Um tempo atrás o vendedor de churros, que me via todo dia no ponto de ônibus, passou a vender e eu só pagava na sexta-feira. Essa semana relembrei com um amigo como emprestar. Um desconhecido pediu seu violão emprestado. Por que não? Hoje a moça da banca me deu um voto de confiança. Não tinha dois reais trocados e não valia, para ela, trocar cinquenta. A Ana, da banca que fica em frente à farmácia em Botafogo, me espera quando eu puder voltar para dar seus dois reais. Antes dela, um mendigo orientou-me pelas ruas semelhantes. Nunca vi alguém tão cuidadoso com um estranho. Aquele é um homem rico, apesar de acender um cigarro na ponta do outro por não ter os dois reais que eu tinha para comprar um isqueiro na banca da Ana.

A bondade contagia. Digitei esse texto no celular, voltando, no ônibus. A meu lado sentou-se uma mulher com criança de colo dormindo. O ônibus não estava muito cheio, ainda assim me ofereci para trocar de lugar a fim de que a pequenina pudesse se deitar com mais conforto.

Foi só uma direção, só dois reais, mas coisas pequenas são maiores que as grandes. Para mim um sorriso vale mais que um discurso.


29/08/2014

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Vai, Brasil!

É algum tipo de crime não gostar de futebol? A Copa pouco me incomoda, mas comecei a perceber que até os blogs só falam disso, até mesmo blogs de moda têm falado da Copa de um jeito ou de outro.
            Eu não gosto de futebol e eu não gosto de carnaval, mas não é difícil me agradar com os dois, basta estar animado. Mesmo não sem gostar, se a alegria estiver reinando, tendo a buscar o lado bom da coisa. Foi assim até com a Copa.
            Eu não vejo o Brasil como um país muito nacionalista e, diferentemente da maioria, não vejo isso como um defeito propriamente dito. O país cavou um desgosto popular e eu não estou falando de doze anos de PT. As reclamações são mais profundas, maior parte dos que me leem não estão nos grupos de risco e chamam o Bolsa-Família de Bolsa-Esmola.
Triste é ver um povo tão desunido que o único motivo que leva-o a vibrar em mesma sintonia é um evento de quatro em quatro anos com onze jogadores em campo cantando o hino e ostentando no peito o escudo da seleção. Jogadores que tornam-se equivocadamente responsáveis por um peso e uma carga que não corresponde a eles. O dever deles é jogar futebol e se possível ganhar o jogo. O dever deles não é unir uma nação em meio a algum problema político ou qualquer outro tipo de desagrado comum.
Mas o brasileiro é preguiçoso. Votar é muito chato e as opções são péssimas. Muito mais fácil jogar uma carga sobre os onze que nós nem sequer conhecemos e então a paz reina por quiçá uns seis meses. E depois?
O jornal que chega a minha casa desde o início da Copa só apresenta manchetes ligadas ao evento. – Eu não fui convidado. – Lembra-me as manchetes do Carnaval, dos blocos cheios, do lixo na rua etc.
Torço, sim, pelo Brasil na Copa e pela primeira vez na vida consegui me emocionar com um jogo de futebol. Novamente com a mania dos brasileiros de imputar culpa e responsabilidade sobre alguém. O nome das vezes foi Júlio César, agora, positivamente.
É estranho também ir assistir a jogos em locais públicos. Vejo pessoas chorando, gritos emocionados, apostas, e quando a bola sai pela lateral eu tomo um gole do que estiver bebendo, quando o Brasil toma um gol tomo outro, quando o Brasil faz um gol abro um sorriso meio amarelo (já que nada na minha roupa é verde e amarelo), sacudo a cabeça e tomo outro gole.
Depois disso, eu penso (ou tento): com a taça em casa, o que isso interfere na minha vida? Copa pra quê? Nada, não sei. Mas está tendo e com muitos feriados. Vai, Brasil!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O Dia Em Que Amei Meus Filhos

E aí tem uma hora que a gente se toca e repara que os textos são como filhos. Os filhos não são meus, são do mundo e deixá-los escondidos é um crime contra a liberdade da criança. Então a gente repara que a gente só é encarregado de fazer os filhos, de fazer os textos, e depois que eles amadurecem, eles vão embora e não pertencem mais a gente, e cada um o compreende de uma forma diferente. Ah... ainda tem isso. A gente é ser humano, a gente erra, a gente falha, é tão difícil ser perfeito e deve ser tão sem graça ser perfeito. E eu finalmente percebi que é um crime eu continuar odiando algum texto que eu mesmo fiz. Posso até não amá-lo, mas devo no mínimo respeitá-lo, vai que alguém o enxerga com outros olhos? Odiar meu próprio texto é odiar meu filho, é deixar de compreender as diferenças e limitações de cada um. É ignorar a beleza da diferença do olhar de cada criança.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Bicho

     O medo é um bicho estranho, nos deixa mudados. Traz uma insegurança, uma instabilidade (interna).

     Estranho, logo eu, que não temo mudanças, amo novidades e abomino a rotina. Medo. Só não pergunto o que será do amanhã, porque isso pouco me interessa. Não que eu seja um inconsequente, não é isso, mas nem todos os sacrifícios valem uma vida.

     Medo me fez afastar-me, um pouco de tudo, um pouco de mim. Pus-me um tanto só, mas nunca completamente. Além dos que se aprochegam, há uma companhia perpétua ao meu lado, um cara pequeno, um cara literalmente cara, um cara sorridente. Não sei o nome dele, não sei nem se devo dar, mas, por favor, continue a sorrir.

     Medo. Exteriorizar o medo é deixá-lo exposto para que todos se aproveitem e para que ele seja reconhecido. É, também, expulsá-lo lá de dentro e abrir mais uma vez o vazio. Abrir e adentrar aquele beco escuro de paredes negras que falei em outro texto. Medo. Medo é me faltarem textos. Medo é me faltarem vidas. Medo é me faltarem amores. Medo é me faltarem inspirações.

     Meu maior medo é escrever todas as minhas ideias.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Cinderela

          O medo de todo ator hoje se tornou realidade: o palco me engoliu. Fui distraído por minha imaginação. Desejava ser engolido por aqueles lábios que levavam consigo um sotaque único, uma frase cantada, uma melodia cotidiana - completamente enlouquecedora. O exercício do dia era perder um dos sentidos, nem fiz esforço. Olhei e fiquei cego. Escutei, não fiquei surdo. O tato se fez oposto. Olfato era que fazia caminhos. Paladar nem passei perto.

          Maldita cegueira, me arremeteu a 2010, meu primeiro ano de teatro. Desafios não paravam de surgir e a timidez ia aos poucos se despedindo. Hoje a timidez já está tão longe que se nos cruzarmos eu nem a reconhecerei mais, no entanto eu não sei como, ela fez nessa última aula uma pequena visita. Eu tentava falar e não articulava, a imaginação que antes me escorria virou, naquele momento, um poço fundo, vazio e obscuro. Completa-me.

          Ano de 2010. Eu, adolescente, ganhando confiança e começando a aparecer. Aparecer para mim mesmo, me conhecer e tudo mais. A tarefa era misturar dois personagens da Disney, minha dupla era a melhor de todas as princesas - fugir da breguisse é difícil, é essa a descrição ideal. Na época, aquela era a princesa e eu era o irmão do filho do sapo, me achava muito distante, mal sabia eu que ser irmão do filho do sapo era ser apenas um sapinho ou um girino em crescimento. Eu fui o Capitão Gancho e ela, a Cinderela. Deveríamos encenar o encontro entre o pirata e a princesa, ideias não faltavam, mas perto dela todas eram ruins. Fomos pensando, pensando e acabou a aula. O Capitão Gancho nunca conheceu a Cinderela.

          Hoje foi parecido. Perdi os sentidos, mas não aqueles que a professora pediu. Quem sabe isso tenha sido bom, somos tão cobrados a viver e sentir o que fazemos em palco. Ah, se eu tivesse feito a cena. Fiquei perdido e acho que ainda estou. O cego não conheceu a surda. O Capitão Gancho não conheceu a Cinderela. Mas, será que ainda dá tempo de você esquecer um chinelinho?


28/03/2014 (V.V.)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Artesã Àquele Afrontado Amigo


Antes, algum acalentador amor auspicioso aliançava anel a agitado artelho atento.

– Aceito! – Aparentemente abobada. Abraçaram. Avenida, alheia, assistindo aos alegres, afetuou.

Abençoando apresentável atitude, abordando amantes, acolhendo acenos, aludindo australopitecos (aumentáveis afirmações). Aplaudiram, assoviaram. Acolheram. Agendaram.

Aniversariante atendeu atarefada. Assessor autorizou avanço – agradeceram. Apontou. Ali acessava agito, aglomerado, algazarra. Ameríndio, acompanhando artesã, adentrava ao ambiente, aonde avistavam astronauta, anfíbio, autoridade, ave, avião, arqueiro, abóbora, aeromoça, alga, acadêmico, árvore, árabe, alienígena, açougueiro, animais, armadura, advogado, até automóvel – astutos adornos articulados.

Antiteticamente, aparecia a abstrata arte acesa. Avistava ambiguamente a astronauta; aeronave, águia, avião? Apenas alegorias.

Anoitecia. As anotações apodreciam. Aumentavam atritos, ao acaso amores adversários, antagônicos. Arte aliada a amiga afeiçoavam. Arquipélago aos aleatórios. Anfitriã arregimentava albergue, arrebentado aposento – amplo apartamento alugado. Aflita, a assustada angústia adornava abrigo, acompanhava, atingindo, alucinando a aquietada artista. Automaticamente afastou a antiga aflição, assemelhada a agressão abafada.

– Ai. Ajuda. – Alertava aurículo.

Acrescentava a atração à amizade. Arrefecia apaixonamento apreensivo. A anca acompanhava a admirada arte adornada, abordando-a avidamente. Assim a animada atitude acontecia. Avançava, atingia. Adiava acasalamento. Atração axiomática. Aproximaram, assediaram. Aceleraram, aproveitaram. Agarraram. Aventura. Aqueceram, acenderam. Ascenderam. A antiga afeição ao antecessor ameríndio amarelara ao ápice. Aperfeiçoava amálgamas: ânsia, anja; afago, agressão; agridoces alternativas antagônicas. Aluno aprendeu: adultério.

A artigo artístico andava agora aliada, ambas astutas, afortunadamente acompanhadas, atualmente atuavam anonimato. Ao antecessor, aliás, abstinência apenas; acabou abandonado. Admitiram alterego. Aguentaram. Aconteceu a ação apertada através abertura. Amigo árido andando acuado afastou àquele amargo ambiente. Autoritário ao avesso administrou álcool, afogou absinto. Agonizando, aterrissaria atrapalhado amanhã. Assentou. Aéreo, ascendeu a adulta aura aflita, aficionada àquela antiga artista americana, à abóboda além, afastando adictas aflições angustiantes. Adormecia apático, abatido. Apagava aceso amor – alívio(?). Avisou, ameaçou. Achava-a ardilosa, asquerosa – audaciosa. Argumentou ao antônimo. Atropelou anciãos. Atravessou agudo, afiada adaga. Arranhou. Armou. Acometeu. Acatou arquitetado acidente alarmante – armadilha acentuada.

Acharam, avistaram. Apontaram. Abanaram. Alumiaram. Alimentaram. Ar! – altissonante. Afastaram. Atordoado autodestruiu. Analisaram. Averiguaram. Aferiram. Abalaram. Apitaram. Aversão a aqui. Arpou afinada arte, adquiriu anestesia atemporal. Afetou. Amoleceu. Asfixiou. Apagou. Apodrecia. Antropomórfico arrependimento. Alma ali ausente. Atiraram assertivas armadas, aríete ao alvo. Ataque arrogante – anunciavam alto. Altruísmo – apaziguaram acertadamente. Após aterrorizante apedrejamento, aptos arrastaram assunto abaixo. Acreditaram. Abrupta atrocidade. Ambulância! Alguns acalmaram, abrandaram. Aparelharam. Agentes acudiam arredores.

Avançando, ainda ateu, aspirava alcançar alguma andorinha adolescente acima – ambição –, adiantadamente apelidada “atriz” – artesã austeramente acabou. Asas ao alado abutre. Agosto amanhecia ansioso, afinal, arterialmente acordou alinhado. Acordou azul apenas à artefato ambulante.


Assinado,
A autora.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Pra Te Deixar Em Paz

Eu já não vejo mais você. Vim te deixar em paz.

Conto-te que escrevo, que não paro nunca quieto, que gosto muito de falar. Olhando os três pontinhos do facebook, eu aguardo uma resposta. Eu já não vejo mais você, nem esboço de resposta. Um curto texto me resta fazer.

Se você perguntar “por quê?”, não vou saber te responder. A mente cospe o que não pensa. Em um segundo vou digitando. Ainda triste, o texto é pobre. O texto não passa pensamento.

Juro que queria ser curto, uma frase de efeito quem sabe? Algo provocante. Mandaria uma mensagem só. Não adianta. A ideia de ver que aquilo foi enviado e eu aqui, de olhos secos à tela do computador, me incomoda. A ausência me aflita. Por isso eu falo, por isso eu escrevo, por isso não paro. Enquanto eu falo, não me respondes. Natural, não me interromperias. Eu já não vejo mais você. Vim te deixar em paz.

Ml.S.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Quase um So(u)neto Carioca

Lindo dia, estão no Rio de Janeiro
Bom ficar até mais de Fevereiro
E não sair até que bata desespero
E adormecer em uma noite no terreiro

Ao acordar poder deitar de novo
E descansar e viver sempre numa paz
Ao levantar olhar para esse povo
Que trabalha e que brinca e se refaz

E entristecer ao saber que vão sair
Sem esquecer que muito são amigos meus
E, por isso, é um ir e não sumir

Eu te aviso que tua saída eu revogo
Que do abraço de adeus
Faça virar um até logo

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ponto

Eu conto do menino tonto
Que quando jovem era meio bronco
E costumava se apaixonar de pronto.
O jovem, que só vestia branco,
Pouco ostentava ao sentar-se ao banco
E sempre cumprimentava o manco
Ao sair do banco.
O jovem, já crescido um tanto,
Buscava alguém a seu flanco.
Sempre foi um rapaz franco,
Rumava um dia de branco,
Antes de sair, no entanto,
Teve uma visão que contorcia o manto:
Notou pássaros a entoarem cantos
E crianças entoando prantos;
Viu que seria de cancro
O fim da era de encanto.
Memórias da época infanto
Paravam com tudo, eu não janto!
Não conseguia ser manso,
Pois caia num grande barranco.
A vida no dia de cinzas tranco,
Aos oitenta e dois cesso o pranto.
Findava de tarde seu trampo,
Depois de ter seguido os mandos
Recolhia à noite seus grampos,
Hoje é o dia em que eu planto.
No seguinte gastou quinze contos
Em um último pedaço de frango,
Foi logo depois desse rango
Que ele desceu do tamanco
E dançou seu último tango.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ahh... Vinicius

Poetinha já dizia
Que a boa poesia
Leva um bocado de tristeza
Da Bênção, Dialética mostram isso com firmeza

Poetinha?
Ahh... Vinicius

O homem da paixão
Do calor - amor
Sempre a emoção

Dizem que o amor é coisa séria
Não sei. Ele começa como um jogo
Como um texto sem palavras
Em que tudo está de férias

Mas e a paixão?

Já nem sei o que dizer
Mal sei o que senti, como agir
Eu desisti.

Como pôde?

Eu não faço mais ideia,
Já não penso com clareza
A euforia da paixão
Deu lugar a essa tristeza.

27/11/2013   (T.B.)
João Pedro M. S.