E aí tem uma hora que a gente se toca e repara que os textos são como filhos. Os filhos não são meus, são do mundo e deixá-los escondidos é um crime contra a liberdade da criança. Então a gente repara que a gente só é encarregado de fazer os filhos, de fazer os textos, e depois que eles amadurecem, eles vão embora e não pertencem mais a gente, e cada um o compreende de uma forma diferente. Ah... ainda tem isso. A gente é ser humano, a gente erra, a gente falha, é tão difícil ser perfeito e deve ser tão sem graça ser perfeito. E eu finalmente percebi que é um crime eu continuar odiando algum texto que eu mesmo fiz. Posso até não amá-lo, mas devo no mínimo respeitá-lo, vai que alguém o enxerga com outros olhos? Odiar meu próprio texto é odiar meu filho, é deixar de compreender as diferenças e limitações de cada um. É ignorar a beleza da diferença do olhar de cada criança.
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