Não entendo
muito de futebol. Na verdade, até entendo, não domino a parte dos times,
escalações, os novos ícones do futebol brasileiro, os nomes gringos. Esse
pedaço é que não sei.
Não entendo muito de muita coisa.
Acho que até que não entendo muito de mim – faz sentido um ser ter devaneios e
correr para escrevê-los?
Não entendo muito do nós. Tenho a
sensação de que cada vez mais faltam nós ao nós. A dureza contemporânea
ultimamente tem se mostrado mais próxima à noz.
Sem entendermos nada, buscamos criar
nossas certezas, e o pior, ou melhor, ou neutro, tentar repassá-las como as
verdadeiras. Até mesmo a certeza de que não se tem razão.
Que a chuva faça alguma coisa!
Vai que isso é mesmo apenas um rito
de passagem... eu não aprendi a coreografia e tem sido tão divertido inventar
uma nova dança a cada dia que eu temo ter que aprender essa tal de corretude,
para não dizer co-retidão.
Deve ser importante investirmos em
nós mesmos. Pessoalmente, sou adepto dessa linhagem. Mas outra sensação toma
conta de mim, vejo bastante o autoinvestimento transformar-se em autopromoção.
Por quê? Mais uma vez, não que isso esteja errado, não sei. No entanto, é isso
realmente o que nos satisfaz?
Tenho buscado guiar-me pelo caminho
da liberdade, não de forma hedonística, mas de autoconhecimento. Não deixar de
possuir e exercer meus hábitos e gostos por conta do julgamento alheio ou de
“pega mal não sei onde”. Quando censurei-me “pegou mal” não estar satisfeito
comigo mesmo, a descomunhão mente-corpo, espírito, sei lá.
Vivo recentemente casos semelhantes,
em que me são oferecidas alternativas: a “segura” ou a “pessoal”. Adivinhem
qual eu tenho tomado!
– E daí? Ninguém me perguntou nada. (–) Está claro?
05/09/2014
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