O medo é um bicho estranho, nos deixa mudados. Traz uma insegurança, uma instabilidade (interna).
Estranho, logo eu, que não temo mudanças, amo novidades e abomino a rotina. Medo. Só não pergunto o que será do amanhã, porque isso pouco me interessa. Não que eu seja um inconsequente, não é isso, mas nem todos os sacrifícios valem uma vida.
Medo me fez afastar-me, um pouco de tudo, um pouco de mim. Pus-me um tanto só, mas nunca completamente. Além dos que se aprochegam, há uma companhia perpétua ao meu lado, um cara pequeno, um cara literalmente cara, um cara sorridente. Não sei o nome dele, não sei nem se devo dar, mas, por favor, continue a sorrir.
Medo. Exteriorizar o medo é deixá-lo exposto para que todos se aproveitem e para que ele seja reconhecido. É, também, expulsá-lo lá de dentro e abrir mais uma vez o vazio. Abrir e adentrar aquele beco escuro de paredes negras que falei em outro texto. Medo. Medo é me faltarem textos. Medo é me faltarem vidas. Medo é me faltarem amores. Medo é me faltarem inspirações.
Meu maior medo é escrever todas as minhas ideias.
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