Eu já não vejo mais você. Vim
te deixar em paz.
Conto-te que escrevo, que não
paro nunca quieto, que gosto muito de falar. Olhando os três pontinhos do
facebook, eu aguardo uma resposta. Eu já não vejo mais você, nem esboço de
resposta. Um curto texto me resta fazer.
Se você perguntar “por quê?”,
não vou saber te responder. A mente cospe o que não pensa. Em um segundo vou
digitando. Ainda triste, o texto é pobre. O texto não passa pensamento.
Juro que queria ser curto,
uma frase de efeito quem sabe? Algo provocante. Mandaria uma mensagem só. Não
adianta. A ideia de ver que aquilo foi enviado e eu aqui, de olhos secos à tela
do computador, me incomoda. A ausência me aflita. Por isso eu falo, por isso eu
escrevo, por isso não paro. Enquanto eu falo, não me respondes. Natural, não me
interromperias. Eu já não vejo mais você. Vim
te deixar em paz.
Ml.S.
Eu acho que toda despedida tem um pouco de descobrimento. Digo isso porque, na verdade, despedir-se, nada mais é que um novo encontrar. Seja com outra pessoa, seja com a pessoa que existe em cada um de nós. Sempre há um encontro que é o revés da despedida. Uma coisa só existe porque a outra existe e isso é magnífico. Não sei se isso faz sentido para você, mas é a maneira que eu criei para lidar com elas.
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