quarta-feira, 2 de julho de 2014

Vai, Brasil!

É algum tipo de crime não gostar de futebol? A Copa pouco me incomoda, mas comecei a perceber que até os blogs só falam disso, até mesmo blogs de moda têm falado da Copa de um jeito ou de outro.
            Eu não gosto de futebol e eu não gosto de carnaval, mas não é difícil me agradar com os dois, basta estar animado. Mesmo não sem gostar, se a alegria estiver reinando, tendo a buscar o lado bom da coisa. Foi assim até com a Copa.
            Eu não vejo o Brasil como um país muito nacionalista e, diferentemente da maioria, não vejo isso como um defeito propriamente dito. O país cavou um desgosto popular e eu não estou falando de doze anos de PT. As reclamações são mais profundas, maior parte dos que me leem não estão nos grupos de risco e chamam o Bolsa-Família de Bolsa-Esmola.
Triste é ver um povo tão desunido que o único motivo que leva-o a vibrar em mesma sintonia é um evento de quatro em quatro anos com onze jogadores em campo cantando o hino e ostentando no peito o escudo da seleção. Jogadores que tornam-se equivocadamente responsáveis por um peso e uma carga que não corresponde a eles. O dever deles é jogar futebol e se possível ganhar o jogo. O dever deles não é unir uma nação em meio a algum problema político ou qualquer outro tipo de desagrado comum.
Mas o brasileiro é preguiçoso. Votar é muito chato e as opções são péssimas. Muito mais fácil jogar uma carga sobre os onze que nós nem sequer conhecemos e então a paz reina por quiçá uns seis meses. E depois?
O jornal que chega a minha casa desde o início da Copa só apresenta manchetes ligadas ao evento. – Eu não fui convidado. – Lembra-me as manchetes do Carnaval, dos blocos cheios, do lixo na rua etc.
Torço, sim, pelo Brasil na Copa e pela primeira vez na vida consegui me emocionar com um jogo de futebol. Novamente com a mania dos brasileiros de imputar culpa e responsabilidade sobre alguém. O nome das vezes foi Júlio César, agora, positivamente.
É estranho também ir assistir a jogos em locais públicos. Vejo pessoas chorando, gritos emocionados, apostas, e quando a bola sai pela lateral eu tomo um gole do que estiver bebendo, quando o Brasil toma um gol tomo outro, quando o Brasil faz um gol abro um sorriso meio amarelo (já que nada na minha roupa é verde e amarelo), sacudo a cabeça e tomo outro gole.
Depois disso, eu penso (ou tento): com a taça em casa, o que isso interfere na minha vida? Copa pra quê? Nada, não sei. Mas está tendo e com muitos feriados. Vai, Brasil!

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