terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pequenas Coisas Me Comovem


Vejo no dia a dia tanta reclamação. Não que elas estejam erradas, mas... não me considero tão desesperançoso do mundo como maior parte dos adultos. Minha alma é infantil, e como as crianças (e Rousseau) acredito na bondade do ser humano. Reconheço que chovem "espertos" por aí, só que experimenta: deixa alguma coisa sua na mesa de um bar, sai e volta meia hora depois. Se levaram, umas oitenta pessoas boas passaram antes e com a consciência de que não lhes pertencia, não tocaram naquele objeto.

Sempre cuidei bem das minhas coisas, mas não sou exatamente apegado ao material. Se tenho, quero bem conservado. Se não, tanto faz.

Um tempo atrás o vendedor de churros, que me via todo dia no ponto de ônibus, passou a vender e eu só pagava na sexta-feira. Essa semana relembrei com um amigo como emprestar. Um desconhecido pediu seu violão emprestado. Por que não? Hoje a moça da banca me deu um voto de confiança. Não tinha dois reais trocados e não valia, para ela, trocar cinquenta. A Ana, da banca que fica em frente à farmácia em Botafogo, me espera quando eu puder voltar para dar seus dois reais. Antes dela, um mendigo orientou-me pelas ruas semelhantes. Nunca vi alguém tão cuidadoso com um estranho. Aquele é um homem rico, apesar de acender um cigarro na ponta do outro por não ter os dois reais que eu tinha para comprar um isqueiro na banca da Ana.

A bondade contagia. Digitei esse texto no celular, voltando, no ônibus. A meu lado sentou-se uma mulher com criança de colo dormindo. O ônibus não estava muito cheio, ainda assim me ofereci para trocar de lugar a fim de que a pequenina pudesse se deitar com mais conforto.

Foi só uma direção, só dois reais, mas coisas pequenas são maiores que as grandes. Para mim um sorriso vale mais que um discurso.


29/08/2014

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