terça-feira, 14 de maio de 2013

Liberta, Meu Preto, Meu Neto

Por onde passava luz
Via-se a marcada Vera Cruz
Impressão forte na aurora
Marca por certa hora

Então chegava meu preto,
O velho, meu ex-guerreiro
Passava por meu terreiro
Dizendo-me sem ser neutro

Salve! a meu povo afro
Ave!, meu antigo sinhô
Traz-me incenso e cravo
Força já me acabou

Venha grande Orixá
Ofereço-lhe o Ijexá
Mostra o Camdomblé
Liberta todo o Axé

Grita meu povo Banto
Chama o grande Nagô
Ouve o forte Jeje
Essa história não terminou

Fuja dessa senzala
Escuta nossos Voduns
Invoca este Nzambi
Deixa de ser só mais um

Bota essa guia e então
Lembra que não tá só
Aprende a fugir de ladrão
Mesmo que se cubra de pó

Chama teu Olorun
Escuta o zum zum zum
Conversa co’a natureza
Acha-me nesta beleza

Às vezes mistura com índio
Forma quilombo
Chega de carregar no lombo
E duvida de todo hominídeo

Mostra essa tua alma
Arruma tua nega
Cuidado, tenha calma
Que já já lhe chega

Reserva nossa cultura
Meu preto trabalha duro
Agora vê teu futuro
Esquece de minha amargura

Usa tua capoeira
Chama a nega no samba
Não fica de bobeira
Vá, meu cabra que é bamba

Bate forte o tambor
Porque agora eu já me vou
A luz fecha o véu
E eu subo de novo ao céu.




João Pedro M. S.
00:01 01/11/2012


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