De fato, quando acordei, sabia que este não seria um dia "normal".
Acordei de manhã atrasado para a faculdade, costume. Escolhi uma roupa melhor, uma blusa social, mais séria, pois, após o trabalho típico de quarta-feira, em vez de Capoeira, eu ia dar aula particular. Terminei de me arrumar e saí.
No trabalho fui elogiado e não tive um segundo sequer de descanso, monitoria lotada - véspera de PUC-Rio. Saí de carona e no meio do caminho peguei um ônibus cheio. Ao concluir a aula saí da casa do aluno de 11 anos com uma tímida despedida "Tchau, Tio.". Peguei um ônibus dessa vez vazio até a Alvorada e de lá outro para casa, ao cruzar a passarela cruzo com oito jovens, entre 8 e 11 anos de idade, isso por volta das nove e meia da noite. Achei estranho estarem desacompanhados e fazerem tanta arruaça pela rua, segui meu caminho.
Fui direto ao banco, depositar os 120 reais que ganhei na aula. Na porta do banco, deitado no chão dois jovens, aparentemente da minha idade, cobertos com edredons desgastados e sujos. Ambos negros. Entrei no banco e terminei a tarefa que fui realizar. Ao sair, vi um carro de polícia e dois policiais indo em direção ao banco com fuzis na mão, parei. Eles seguiram em direção à entrada, viram os dois homens dormindo, guardaram as armas, deram meia volta e se retiraram. Eu ao mesmo tempo ia embora.
Cheguei a casa há pouco tempo, sentei meio transtornado e absorto pela quantidade de informações absorvidas em um período tão curto. Cheguei, sentei e abri a Stella Artois que comprei no posto de gasolina entre o banco e minha casa.
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