sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ponto

Eu conto do menino tonto
Que quando jovem era meio bronco
E costumava se apaixonar de pronto.
O jovem, que só vestia branco,
Pouco ostentava ao sentar-se ao banco
E sempre cumprimentava o manco
Ao sair do banco.
O jovem, já crescido um tanto,
Buscava alguém a seu flanco.
Sempre foi um rapaz franco,
Rumava um dia de branco,
Antes de sair, no entanto,
Teve uma visão que contorcia o manto:
Notou pássaros a entoarem cantos
E crianças entoando prantos;
Viu que seria de cancro
O fim da era de encanto.
Memórias da época infanto
Paravam com tudo, eu não janto!
Não conseguia ser manso,
Pois caia num grande barranco.
A vida no dia de cinzas tranco,
Aos oitenta e dois cesso o pranto.
Findava de tarde seu trampo,
Depois de ter seguido os mandos
Recolhia à noite seus grampos,
Hoje é o dia em que eu planto.
No seguinte gastou quinze contos
Em um último pedaço de frango,
Foi logo depois desse rango
Que ele desceu do tamanco
E dançou seu último tango.

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